Sofreu discriminação, preconceito ou assédio? Reaja…

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André de Oliveira, foi discriminado e buscou reparação. Foto: acervo pessoal

Mas não reaja com violência. Busque seus direitos – e você os têm, tal como fizeram o brasileiro André de Oliveira, que em 2015 obteve na justiça do Estado do Colorado uma importante vitória contra o preconceito. Em 2006, André foi contratado para trabalhar na Matheson Trucking, uma empresa que presta serviços para o United States Postal Service (USP) – que não teve nada a ver com as práticas da Matheson. Na empresa trabalhavam outros imigrantes e negros como André. Em 2008 a Matheson Truking contratou uma nova gerente que começou a perseguir os negros e imigrantes segregando-os dos brancos. “Uma das atitudes dela foi fazer com que trabalhássemos mais do que os outros funcionários. Na nossa seção o volume de correspondências era muito maior do que a outra seção. Nas escalas, os negros ficavam com as áreas mais duras e algumas vezes quando acabávamos de fazer o nosso trabalho éramos enviados para terminar o trabalho dos funcionários brancos. Ao notar estas coisas, começamos a reclamar e ninguém nos dava ouvidos e as coisas iam ficando cada vez mais difíceis, pois gritavam conosco e se dirigiam a nós chamando-nos de nigger. Em 2010, o schedule foi modificado e nossos nomes foram retirados”, diz André de Oliveira. No total 12 pessoas que se sentiram discriminadas foram à justiça e obtiveram US$ 13 milhões em indenização.

Uma outra situação de racismo, sexismo e preconceito foi vivido pela brasileira Maria – os nomes, a empresa e os valores obtidos serão omitidos por causa de uma cláusula de confidencialidade que faz parte do acordo indenizatório.

Trabalho em uma grande empresa e no nosso setor há cerca de 18 mulheres e três homens, sendo que um deles era o manager da área. No total éramos quatro imigrantes, eu que sou brasileira, uma venezuelana, uma marroquina e uma italiana, e as outras pessoas são americanas. Com as americanas o manager nunca mexeu, mas com nós quatro era um ambiente horrível. As piadas eram sempre de cunho sexista e machista, principalmente comigo, com a venezuelana e com a italiana. Na medida em que o tempo passava e diante das investidas dele, que foram todas rechaçadas, a intolerância por parte do manager foi aumentando. Em mim ele nunca tocou de modo inapropriado, mas o linguajar dele era o pior possível. Ele passou a me chamar e às outras de gostosas, e de uma série de outras palavras. Um dia ele me disse que tudo poderia mudar se eu topasse sair com ele. A partir daí e incentivada pelas funcionárias americanas tomamos uma atitude e procuramos a direção da companhia. Foi pior ainda, pois ele se sentiu ofendido e a solução foi buscar a justiça. A ajuda e o testemunho das mulheres americanas foi determinante. Quando a empresa viu que as coisas iam complicar propôs um acordo e aceitamos. Hoje, como medida preventiva contra assédio e discriminação foram adotados uma série de dispositivos. O manager foi demitido e foi imposto a ele pelo acordo, que fizesse parte de um grupo terapêutico de abusadores e homens violentos”, diz Maria. O acordo com as quatro mulheres alcançou o total de cerca de US$ 1 milhão.

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Condomínio Granada Higlands em Malden, Massachusetts, discriminou moradores indocumentados que processaram a administração. Foto: reprodução

Um grupo de moradores do condomínio Granada Higlands, em Malden, na Grande Boston foram outros que buscaram os meios legais por causa de discriminação. Brasileiros indocumentados, foram avisados pela administração do condomínio de que não teriam os seus contratos renovados porque não tinham green card, isto depois de ter-lhes sido proposta a renovação. A Procuradoria Geral do Estado de Massachusetts entrou no caso ao ser acionada, assim como a Procuradoria Federal.

O caso está nas mãos de um advogado e a tramitação do processo por discriminação já tem andamento na Corte Superior de Boston. “Eles obrigaram indocumentados a se mudar, impuseram um acréscimo ao contrato original mês a mês porque não quiseram renovar os contratos, impediram moradores de estacionar os seus carros no condomínio e discriminaram dezenas de pessoas. A solução foi buscar o amparo legal”, diz uma moradora brasileira que se sentiu discriminada.

Dias atrás, em uma fila na J.C. Penny na cidade Louisville, Kentucky ofendeu duas mulheres que aparentemente eram latinas, com insultos raciais e palavrões. A direção do Jefferson Mall, busca identificar a ofensor, e bani-la para sempre do lugar. As ofensas e insultos da mulher foram gratuitos e totalmente desnecessários. Há registros de outros casos semelhantes de intolerância e preconceito, principalmente nos Estados Unidos e contra minorias.

O povo americano quando se sente prejudicado no seu direito, na sua honra ou na sua dignidade transforma a divergência em demanda e até aceita um pedido de desculpas, desde que venha acompanhando de um cheque. Gordo de preferência…

Para ler outras reportagens e histórias sobre racismo, preconceito e discriminação postadas no blog, clique aqui, aqui, aqui, e aqui.

Prestação de serviço
Se foi vítima de discriminação e/ou assédio por causa de raça, etnicidade, religião, gênero, orientação, sexual, identidade sexual, deficiência, status imigratório ou país de origem
Fair Housing Office
U.S. Department of Housing and Urban Development
Thomas P. O’Neill Jr. Federal Building
10 Causeway Street, Room 321
Boston, MA 02222-1092
Telefone (617) 994-8300 o 1-800-827-5005
Fax (617) 565-7313 • TTY (617) 565-5453
E-mail: Complaints_office_01@hud.gov
Que é um órgão federal em Boston, que analisa e age em casos semelhantes.

Office of the Attorney General
Civil Rights Division
One Ashburton Place
Boston, MA 02108
Direitos civis: 617.963-2917
Linha de emergência
1.800-994-3228

Fotos de capa e de compartilhamento: reprodução de redes sociais

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