SÉRIE especial: os transplantados – Graciela Porter

Série especial: os transplantados na comunidade brasileira nos EUA

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Graciela Porter passou por um transplante de coração em 2016

O blog vai contar nesta série a história de brasileiros que moram nos Estados Unidos e que se submeteram a transplantes de órgãos para que suas vidas seguissem adiante. Uma destas histórias de superação é a de Valéria Falstad, que em novembro do ano passado teve um rim doado por Daniela Braga que leu a sua história nas redes sociais e numa atitude altruísta tomou a atitude que mudou a vida de outra pessoa.

São histórias de superação, inclusive de dor da perda – no caso da família que autoriza a doação de órgãos, e de quem recebe. Algumas vezes a espera pode levar anos e nesta primeira reportagem da série o depoimento é de Graciela Porter, que mora em Massachusetts e que passou por um transplante de coração em 2016.

Graciela Porter no pós-operatório

Graciela Porter
A carioca Graciela Porter chegou aos Estados Unidos em novembro de 1998 e em outubro de 2010, foi diagnosticada com cardiomiopatia e insuficiência cardíaca, que é uma doença do músculo do coração que é caracterizada por uma dilatação ventricular gerando progressiva redução da capacidade de bombear sangue pelo ventrículos esquerdos ou por ambos ventrículos, que ocorre sem outra doença que possa explicar as modificações estruturais e funcionais cardíacas.

“Tinha muita dificuldade para respirar e fazer as coisas do dia a dia, cansaço continuo, inchava muito, problemas de retenção de líquidos e pressão baixa que no meu caso era uma das maiores preocupações dos médicos. Tive que colocar um desfibrilador para que me ajudasse a viver até o transplante. A determinação do transplante foi automático e tive que fazer alguns exames e logo entrei na lista pois meu coração já estava muito fraco. A espera foi de cinco anos, e este foi o tempo dado”, diz Graciela que não sabe quem foi o doador e tampouco sua família. “Ainda não conheci a família pois tudo é feito de forma bem sigilosa pelo banco de doadores, porém já mandei contato para o banco de órgãos mas não obtive resposta”, continua. 

“Meu transplante foi feito no dia 4 de abril de 2016 no Tufts Medical Center, onde fiz todo o meu tratamento desde o início. A fase de recuperação mais difícil foi no primeiro ano, mas ainda mantemos vigilância constante com tudo, pois ainda faço exames e tomo muitos remédios que devem ser sempre bem monitorados nas dosagem certas, além do cuidado constante com a alimentação e a saúde física. Porém já levo uma vida normal”, afirma Graciela.

Graciela Porter ficou na lista de espera por cinco anos

“Os cuidados são muito importantes pois tem que haver uma dieta saudável, tudo que for comer tem que ser bem lavado ou cozido e tentar o máximo não comer fora, pois você não sabe como aquela comida foi preparada. Então temos que tomar todo o cuidado por causa de riscos de infecções pois o nosso sistema imunológico fica desprotegido”, sobre os cuidados com a saúde pós-transplante. Os medicamentos devem ser tomados ou aplicados pelo resto da vida.

“Ser transplantada nos mostra quanto amor o ser humano ainda tem pelo outro mesmo nos momentos mais difíceis de escolhas. A importância de ser um doador de órgãos é que nós humanos podemos salvar vidas que estão passando por um processo do qual a única esperança é a doação, se podemos doar parte do nosso corpo para salvar estas vidas por que não?. Seja um doador. Mantenha a saúde em dia”, finaliza Graciela que atualmente tem 42 anos, é casada e tem uma irmã que mora nos Estados Unidos.

Saiba mais
Nos Estados Unidos existe o U.S. Government Information on Organ Donation and Transplantation (OPO) que coordena e regula as informações acerca da doação de órgãos.

Nos Estados Unidos cerca de 142 milhões de pessoas estão registradas como doadores de órgãos, seja nas suas carteiras de motoristas quanto on-line e um único doador de órgãos pode salvar a vida de até oito pessoas doando o coração, pulmões, fígado, pâncreas, rins e intestino. Já um doador de tecido pode melhorar a vida de até 75 pessoas.

Para saber as organizações que funcionam como bancos de órgãos para doações no seu estado clique aqui. Em Massachusetts é possível se registrar como doador no Donate Life New England clicando aqui ou aqui, para outros estados.

Números importantes
– 114 mil pessoas estão na lista de espera por um órgão nos EUA a partir de abril de 2018
– 34,770 transplantes foram realizados nos EUA em 2017
– 20 pessoas que estão nas listas de espera por um transplante morrem todos os dias 
– 95% de adultos nos EUA apoiam a doação de órgãos; porém apenas 54% estão inscritos como doadores
– 10 minutos – é o período de tempo que uma pessoa é adicionada a uma lista de espera por um órgão nos EUA
– 3 pessoas em cada mil, morrem de forma que permite a doação de órgãos

Fotos: acervo pessoal

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