SÉRIE especial: Lidia Souza – uma super-heroína bem humana

Quarta reportagem especial alusiva ao 'Dia Internacional da Mulher': Lidia Souza

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Lidia Souza tem o trabalho voluntário como filosofia de vida

O blog vai publicar uma série de reportagens nos próximos dias contando a história de uma mulher por ocasião do Dia Internacional da Mulher. A quarta história da série é de Lidia Souza, diretora e uma das fundadoras do New England Community Center (NECC) em Stoughton, MA. As retratadas nas reportagens são mulheres de destaque nas suas respectivas áreas e todas têm em comum o fato de ajudar o próximo.

A carioca Lidia Souza, chegou aos Estados Unidos em 1998 e entre tantas coisas e feitos, é uma das pioneiras na questão da prevenção da saúde mental no Estado de Massachusetts e porque não dizer nos Estados Unidos. Outra coisa que pode ser creditada a ela, é o seu engajamento em causas sociais e benemerentes com as quais conta com o apoio e ajuda de outras pessoas. 

Um dos grupos de trabalho do NECC

O engajamento de Lidia vem de longa data e começou precisamente na sua infância. “Desde criança sempre fui muito solícita em ajudar aos outros e acredito que já nasci com esta vontade e ao longo dos anos as situações me colocou diante de desafios e realmente nunca deixei de fazer. O trabalho voluntário na minha vida é uma extensão do meu ser, poder servir, ajudar, conseguir um sorriso de quem está em uma situação desfavorável é o meu combustível”, reafirma sobre as suas convicções humanitárias e constante preocupação com o próximo.

Uma das muitas campanhas de ajuda ao longo dos anos, em que Lidia esteve envolvida foi a de Filipe Wolff, das qual ela fala com propriedade. “Dentre tantas histórias, a que realmente me marcou foi a vivência do transplante do Filipe. A luta para conseguirmos arrecadar o dinheiro, a união que conseguimos da comunidade e quando finalmente chegou o dia do transplante, achei que nunca ia ter fim. O pós-operatório e todas as dificuldades que encontramos”, sobre a grande mobilização da comunidade em torno de um objetivo, que foi alcançado plenamente.

Durante este período de intensa preocupação com a saúde de Filipe, Lidia enfrentou um drama pessoal, com a luta em casa com a doença de sua filha, “este período foi para mim uma verdadeira escola em todos os sentidos”, diz.

Para poder atender quem está numa situação desfavorável, Lidia e outras pessoas da região do South Shore fundaram o New England Community Center, NECC, que tem se destacado na prestação de serviços e na utilidade pública.

De um drama pessoal com a filha, nasceu o programa de saúde mental na comunidade brasileira em Massachusetts

“Sempre foi um sonho meu e de outras mulheres, ter um local de apoio ao imigrante, e tudo surgiu com a criação do Grupo Solidariedade voltado à saúde mental. Muitos me perguntam o porquê da saúde mental? Em 2012 eu me vi completamente perdida com a minha filha em um surto psicótico. Nunca pensei que fosse vivenciar isto. Para navegar no sistema da saúde mental do Estado não é fácil e encarar um hospital psiquiátrico é outro desafio, sem falar em todo um tratamento quando o paciente já é adulto. Foram anos de sofrimento, de idas e vindas, tentativas de suicídio por parte dela até o ponto de ter que escolher entre um filho e outro. Foi quando me vi encurralada, pois o estado queria tirar meu filho mais novo devido a tudo que a minha filha fazia pois não seguia o tratamento e assim colocava a vida de todos em perigo. Fui ao fim do poço, onde tive uma luz e fui buscar ajuda judicial para o caso. A luta começou nos tribunais e hoje posso dizer que tenho a guarda permanente dela; sou responsável pelo seu tratamento e ela está estabilizada. Foram anos de muito choro e o NECC surgiu desta luta que é poder auxiliar as pessoas em várias áreas”, diz sobre o drama pessoal que a inspirou e fez com seguisse adiante. Para a área da saúde mental desenvolvemos a Cartilha da Campanha DIGA SIM A VIDA (prevenção ao suicídio). No campo social, trabalhamos em parceria com o Consulado-Geral do Brasil em Boston, e atendemos em média 250 pessoas por semana com diversos problemas desde a obtenção de documentos, ajuda no combate a violência doméstica, prisões, imigração, problemas de ordem civil, onde mantemos uma parceria com a Procuradoria Geral do Estado; temos advogado voluntário nas áreas de imigração e de família com atendimento gratuito. No educacional há o programa AQUARELA DO BRASIL para crianças ensinando o português como segunda língua; curso de inglês para quem chega e precisa aprender o básico. Na cultura, temos o Coral Cantos do Brasil, além de diversas oficinas voltadas ao bem estar e forma de empoderamento feminino. Tem também as oficinas de corte e costura, biscuit, pintura em pano e Ponto de cruz e, aulas de violão para as crianças”, complementa.

Em meio a tantas atividades e afazeres Lidia não se esquece de agradecer por tudo. “Hoje posso dizer que me sinto realizada, com muitos projetos na cabeça para ser implantados para o bem comum de todos em 2019 e 2020. Minha mensagem é que para ser um voluntário não precisa de capa, força ou super poderes. Apenas doe um pouco do seu amor e tempo e torne-se um super-herói na vida de alguém”, finaliza, já pensando na próxima vida em que fará a diferença para o bem…

Fotos: acervo pessoal

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