Rosa Parks, a precursora dos direitos civis nos EUA

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Nestes tempos bicudos onde neonazistas idiotas se infiltram em torcidas de futebol, e o presidente russo dá demonstração de racismo exacerbado, é sempre bom lembrar de Rosa Parks, que com obstinação derrotou o preconceito e a intolerância.

Nos anos 50, os negros sofriam com estas leis que impunham restrições a quase tudo, e viver uma vida normal era dificultoso. Bares, lojas e restaurantes não aceitavam a presença de negros em possibilidade alguma. Nos poucos locais que permitiam uma convivência entre brancos e negros, quando um branco entrava, o negro era obrigado a sair. Havia banheiros públicos para brancos e negros. A Ku-Klux-Klan atacava e martirizava impiedosamente, queimando casas e igrejas, espancando e espantando sob os olhares complacentes dos governantes.

Embora a escravidão tivesse sido abolida em setembro de 1862, os negros continuavam escravos de leis que lhes impunham um jugo pesado e sufocante. Suas casas ficavam em bairros às margens das cidades e raramente podiam aventurar-se sem o temor de serem capturados e presos, pois qualquer pretexto era motivo de irem parar nas cadeias dos Condados.

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Rosa Parks sentou-se num lugar destinado aos brancos e foi presa por isso. Reprodução

No dia 1º de dezembro de 1955, Rosa Parks dá sinal e embarca no ônibus que a levaria para casa depois de um dia exaustivo de trabalho. Como na parte de trás, destinada aos negros, havia muita gente, Rosa sentou-se num dos bancos da frente do ônibus, exclusiva dos brancos. Por causa disso o motorista pediu que ela se levantasse, embora ali houvesse muitos assentos vagos. Rosa recusou-se a levantar, discutiu, e o motorista chamou a polícia que a levou presa.

A população negra de Montgomery, no Alabama, a cidade de Rosa Parks, iniciou um boicote às companhias de ônibus que durou 381 dias, causando um prejuízo de mais de U$ 1 milhão à época, até que, em novembro de 1956, a Suprema Corte declarou inconstitucional a lei de segregação racial dentro dos ônibus no Alabama. Este episódio vivido por Rosa Parks foi a partida de um movimento maior encabeçado pelo Reverendo Martin Luther King Junior, que tomou proporção nacional, fazendo de King, vencedor do prêmio Nobel da Paz em 1965. Muitos dizem que sem a sua ação no caso de Parks, King jamais alcançaria a notoriedade e sucesso na sua luta pelo fim da segregação racial, da forma como foi, e ele reconhecia isso.

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A prisão de Rosa Parks desencadeou um boicote que durou um ano e terminou com a revogação da lei discriminatória. Reprodução

Longe de ser uma oportunista, Rosa Parks teve a oportunidade de ficar conhecida como a mãe dos movimentos dos direitos civis, pois ao se recusar a continuar sendo discriminada, ela mostrou toda a sua inconformidade com aquela situação. O mundo, especialmente os negros americanos, deve, a Rosa Parks, um importante progresso de consciência política e humanitária. Em 1956 Rosa Parks impetrou ação contra o governo americano por discriminação, e sua vitória no processo foi um marco importante na história dos direitos civis americanos.

Numa entrevista em 1996, Rosa Parks afirmou que não achava direito e justo ser maltratada por quem quer que fosse e, naquela tarde de 1955, pensava que atitudes sua mãe e avó tomariam em seu lugar. Elas eram mulheres fortes e certamente se insurgiriam como ela o fez. Rosa tinha um histórico de recusas e humilhações na vida, pois diversas vezes tentara se registrar como eleitora e era sistematicamente recusada. Uma das suas afirmações era a de que se pagava o preço exigido para andar no ônibus, ela queria direitos iguais aos dos brancos, e não ser mais humilhada, como conta no livro Quiet Strength – Zondervam Publishing House, 1994.

Quando enfrentou o motorista branco do ônibus, Rosa Parks não chorou, olhou nos olhos dele e ele, envergonhando, desviou o olhar, preferindo chamar a polícia. Perguntada se faria de novo, ela singelamente respondeu que sim, e talvez antes, se tivesse tido a ousadia e a coragem de sua mãe e avó.

O gesto de Rosa Parks que se recusou a ser subjugada pelo preconceito, deu início à política do direitos civis que na quarta-feira, 2 de junho, completou 50 anos e mudou a vida de milhões de pessoas nos Estados Unidos vai ficar perpetuado como o símbolo do inconformismo e da subserviência do mais fraco para o mais forte.

Rosa Parks que deu uma lição no racismo, no preconceito, na intolerância deixando um legado de retidão e dignidade, morreu em 2005 aos 92 anos.

 

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