Quanto vale o craque?

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O grande jornalista, poeta, cronista e escritor Roberto Lima, publicou uma foto do Dicá, o maior jogador que a Ponte Preta teve, e me fez lembrar deste texto abaixo que escrevi anos atrás. Neste futebol atual de tatuados, moicanos, redes sociais, múltiplos assessores e melindres aflorados, onde pernas de pau ganham milhões, quanto valeriam alguns craques de verdade do futebol brasileiro?

Falcão foi vendido para a Roma da Itália em 1983 por U$ 1 milhão, e a carreira dele dispensa comentários, mas suscita uma discussão – quanto valeria hoje o passe de Falcão? E o de Ademir da Guia (na foto com Roberto Rivellino), que ficava meses sem errar um passe? E Zico, que jogou na pequena Udinese da Itália, e fez tantos gols quanto Platini, que jogava na poderosa Juventus.

Tostão e Dirceu Lopes, que colocaram o Cruzeiro no mapa do futebol brasileiro, antes restrito ao eixo Rio-São Paulo, e Reinaldo?, trinca de baixinhos bons de bola que jogaram nos dois maiores adversários em Minas Gerais, mas nunca saíram do Brasil para jogar em times do exterior. Ganharam dinheiro, mas quanto ganhariam se fossem jogar no estrangeiro? Muitos, como Ademir da Guia, dedicaram suas carreiras a serviço de um único clube, ou ainda Rivelino que jamais foi campeão pelo Corinthians.

O Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes enfrentava o Santos de igual para igual. Foram jogadores de uma camisa só – embora alguns tenham jogado por mais de um clube, mas são conhecidos e reverenciados até hoje por torcedores dos seus times de origem. Será que nos times da moda – Barcelona, Manchester United, Real Madrid, Milan, Juventus, Internazionale e Chelsea Zico e Rivelino teriam lugar?

Qual destes fenômenos seria considerado hoje fenômeno de verdade? E os atleticanos – de Minas – Dário José dos Santos, o Dadá Maravilha, o Peito de Aço, o Beija Flor – por parar no ar – cabeceando bolas e mais bolas para o fundo das redes, e José Reinaldo de Lima, que com uma perna só levou a defesa e o time do Flamengo numa decisão do brasileiro ao pânico, cada vez que pegava na bola, e para quem um metro quadrado era um latifúndio, e teve carreira abreviada pelos sucessivos pontapés que levava de rudes e grotescos zagueiros?

Quanto valeria os passes destes jogadores? Quantas camisas vestiriam hoje Ademir da Guia ou Gerson? Quantos milhões de dólares ganhariam Luiz Pereira, Dirceu Lopes e Tostão? Certamente ganhariam o que o extra-classe Paulo Roberto Falcão – o Rei de Roma, ganhou – muito dinheiro.

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