Quando o homem é vítima de violência doméstica

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O telefone toca e do outro lado um homem com a voz embargada pede ajuda. “Não aguento mais tantas humilhações e agressões. Tomo tapa na cara direto e sou ameaçado de ser entregue para a Imigração porque devo uma corte e tenho receio de ser deportado. Você pode me ajudar?”

Casos como este acontecem todos os dias e quando se fala em violência doméstica invariavelmente vem a mente a imagem de uma mulher agredida física ou psicologicamente, oprimida e intimidada por ameaças, cerceada nos seus direitos básicos e privada as vezes do direito de ir e vir.

Muitos homens que são vítimas de violência doméstica e abuso não buscam ajuda e apoio por vergonha ou por medo.

Porém, há um outro lado, talvez tão perverso quanto este descrito. São os homens que sofrem todo tipo de intimidação das suas mulheres, companheiras, noivas e namoradas que os pressionam e ameaçam denunciar para a Imigração para que sejam deportados.

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A violência e o abuso de qualquer tipo devem ser coibidos. Se for o seu caso busque ajuda imediatamente. Imagem meramente ilustrativa

João Carlos, conheceu Marisa na igreja e depois de um ano se casaram numa cerimônia carregada de emoção, já que a mulher havia sido abandonada pelo primeiro marido e há anos lutava pelo divórcio. Cidadã americana, Marisa passou a ameaçar João Carlos, pois desconfiava que ele estava junto dela por interesse, o que ele sempre negou, já que gosta da esposa. “As vezes ela fazia um verdadeiro terror psicológico comigo e durante quase quatro anos afirmou que não ia aplicar para que eu tivesse o green card, pois dizia que eu iria embora no dia seguinte que o tivesse na mão. Depois de dois anos, quando nasceu o nosso filho, as coisas pioraram e um dia eu disse a ela que se dentro de três meses eu não tivesse a minha situação legalizada ia embora para o Brasil. Fui ver preço de passagem e parece que isto acordou minha mulher e resolvemos a situação. Hoje ela pede perdão pelo que me fez passar e não pensamos em separação”, diz.

Já a situação de Eduardo é pior. Casado há alguns anos, passa por situações que beiram o constrangimento diante de familiares, amigos, clientes e pessoas estranhas. Movida por um ciúme doentio, Tereza que é cidadã americana controla todos os passos do marido seja pelo sistema do telefone que lhe permite rastrear as ligações que Eduardo faz e recebe. Se tem algum número que ela não conhece não hesita em ligar para saber quem é.

Também mandou instalar no carro do marido um GPS que controla no computador. Tempos atrás, simulou uma agressão e chamou a polícia para Eduardo que passou uma noite na cadeia.

“No dia que sai da cadeia, minha vontade era de ir embora, sumir sem deixar rastro e ela teve o cinismo de dizer que da próxima vez ia fazer pior. Ela ameaça minha família e a mim de deportação e por isto eles se afastaram de mim por causa do medo que sentem dela. Do mesmo modo, os meus amigos também se afastaram  porque sabem que ela é capaz de entregá-los para a Imigração. Uma vez ela furou os pneus do meu carro e disse que se eu chamasse alguém para me ajudar ia denunciar para a Imigração e sei que ela é capaz de fazer se quiser. Minha preocupação é com meus irmãos, pois se eu pedir a separação ela vai cumprir o que ameaça sempre, e não quero me sentir culpado por qualquer coisa que venha a acontecer com meus irmãos, pois um deles têm crianças pequenas e vive assustado com a possibilidade de ser denunciado. Hoje, sou um homem prisioneiro de um casamento fracassado e temeroso com a possibilidade de ser mandado embora por causa de um capricho da minha mulher, não tenho dinheiro, meus cartões de crédito foram cancelados por ela as vezes sinto que vou ter um ataque do coração de tanta pressão e humilhação que sofro e por causa das desconfianças dela”, conclui.

A psicóloga Regina Andrion, no seu livro ‘O povo quer saber’ trata do assunto de modo apropriado. “Há muito abuso e violência sexual na sociedade, mas há também mulheres que inventam supostos abusos para prejudicar o homem, manipulando a lei a seu favor. Muitas vezes o relacionamento familiar passa por problemas. Naturalmente aqui, na separação a mulher descobre que a lei está ao seu lado. Existem casos de acusações falsas. Muitas mulheres depois que fazem a acusação contra os maridos ao colherem as consequências da lei pela intervenção do Estado, quando a poeira baixa vem o arrependimento, mas aí já é tarde demais”.

Homens abusados têm mais dificuldades e relutância em buscar ajuda, pois temem que não serão levados em consideração pelas autoridades policiais, mas é necessário saber como lidar com uma parceira abusiva.

Para saber quais entidades regionais dão assistência contra casos de violência doméstica em qualquer nível clique aqui.

Recomendações
• Leve a sério todas as ameaças que ex-companheiros, maridos, namorados fizerem
• Junte provas como mensagens de texto, e-mails e busque orientação legal para gravar ameaças telefônicas
• Busque ajuda se sentir que sua integridade física e emocional estiver ameaçada
• Peça às autoridades uma restraining order
• Não se intimide com ameaças e tentativas de agressão; denuncie quem faz isto
• Nunca retalie ou use de força para responder a qualquer agressão física, verbal e/ou psicológica
• Não importa a sua condição ou status imigratório; você têm direitos
• Busque conselho legal sobre como se livrar dos abusos

Onde buscar ajuda – Quem pode ajudar em caso de violência doméstica 
Ligue imediatamente para 911

The National Domestic Violence Hotline
1-800-799.7233

Jane Doe Inc
Hotline 24 horas
1.877.785-2020
1.877.521-2601

Respond Inc
Somerville e cidades vizinhas
617.623-5900

HAWC
Healing Abuse Working for Change
Salem, Peabody, Gloucester e região
Hotline – 24 horas
1.800.547-1649

MAPS – Massachusetts Alliance of Portuguese Speakers
617.864-7600

Violência doméstica em casais do mesmo sexo
Gay Men’s Domestic Violence Project
1-800-832.1901

Imagens meramente ilustrativas

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