Pedófilo foge para o Brasil após ser denunciado em Lowell

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O pior pesadelo que pode acontecer a uma família é descobrir que alguma das suas crianças foi abusada sexualmente por alguém. Foi o que aconteceu com um família de trabalhadores brasileiros em Lowell, onde um outro caso semelhante ocorreu no ano passado.

Em julho deste ano, a pequena K de 10 anos, ao ouvir seus pais conversando sobre uma família de conhecidos em que o marido e pai abusou sexualmente da própria filha, e após ser descoberto foi denunciado pela esposa e preso imediatamente. Este fato mexeu com a menina que contou para uma colega de escola, também filha de brasileiros que sofria abusos de Elci José Luciano, um homem brasileiro de 46 anos que havia sido casado com uma prima.

“Minha filha que pediu para a menina que tem 11 anos, que não contasse para ninguém o que se passava com ela, ao que a garota respondeu que não, e naquele mesmo dia a mãe dela nos procurou e contou o que se passava. Ficamos chocados e imediatamente procuramos as autoridades e um detetive veio em nossa casa e nos encaminhou para o DCF – Department of Children and Families (DCF), que levou minha filha para uma entrevista com psicólogos e especialistas neste tipo de caso. Depois de algumas horas nos disseram que já tinham evidências suficientes para prender o Elci. Acontece que os meses se passaram e nada deles se movimentarem. Fui pessoalmente falar com o detetive encarregado do caso e cobrei dele uma atitude, avisando que o Elci poderia fugir. Ele me disse que se o abusador fugisse eles iriam atrás. Em setembro o DCF enviou uma carta para nós com cópia para o Elci e novamente fui na polícia de Lowell e avisei que se ele recebesse a carta iria fugir. Não nos deram ouvidos em momento algum”, diz o pai da criança abusada.

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Elci José Luciano, é acusado de abusar sexualmente de uma menina de 10 anos. Fotos: redes sociais

E o que os pais mais temiam aconteceu no domingo, 2 de outubro, quando Elci que havia se mudado de Lowell para Everett tomou conhecimento da acusação, arrumou as malas e foi embora para o Brasil. “Ele disse para a namorada que havia arrumado um trabalho na Flórida que duraria pelo menos quatro dias e na realidade ele foi embora para o Brasil. Ele era uma pessoa que tinha a nossa confiança e que mesmo tendo se separado da minha sobrinha, frequentava a nossa casa e convivia com as duas crianças. A minha filha nos disse que ele abusava dela e dizia que se ela contasse para alguém ele mataria e faria mal para toda a família.

Ele levava as meninas para a casa dele e dizia para ela que se não fizesse o que ele queria, iria molestar a irmã menor. Estamos sem atendimento psicológico, e nos primeiros dias foi muito difícil aceitar o que aconteceu e hoje entendemos porque a minha filha tinha pesadelos. As coisas que o Elci fazia com ela são inaceitáveis e perversas, e a conclusão é a de que ele é doente”, afirma a mãe.

Elci Luciano que no passado teria abusado da própria filha, o que teria motivado a separação da primeira esposa, teve um irmão que foi assassinado a tiros em Belo Horizonte, porque molestou uma criança da família, está circulando no Brasil entre Colatina, no Espírito Santo, Belo Horizonte e Aimorés, em Minas Gerais. Para algumas pessoas que conversaram com ele, negou que tivesse cometido o abuso e que fugiu para não ser preso, e que tudo não passaria de uma armação da família motivada pela separação dele com a prima da criança.

“Ele frequentou nossa casa muitas vezes depois que se separou da nossa sobrinha e isto é mentira dele para fugir das acusações e dos crimes que cometeu contra a minha filha”, finaliza o pai que espera por uma explicação das autoridades de o por que não tomaram nenhuma atitute e permitiram que um homem acusado de pedofilia e abuso sexual fugisse e ficasse impune.

Outros casos na comunidade brasileira
O caso que envolve Elci José Luciano, não é inédito entre a comunidade brasileira em Lowell. De acordo com a edição digital do jornal Lowell Sun, o brasileiro Gilmar Antonio Baratieri, de 46 anos foi preso por abusar de uma menina que na época das agressões sexuais tinha sete anos de idade. O caso foi tema de uma reportagem em março de 2015.

A mãe da menina, de uma família de brasileiros, notou que as notas e o rendimento escolar da garota havia caído, perguntou o que estava acontecendo e ela contou que havia sido abusada por Gilmar que seria padrinho de um dos seus irmãos.

Na corte distrital de Lowell, Gilmar admitiu e confessou o abuso sexual, agressão sexual, atentado ao pudor e estupro agravado. Os incidentes envolviam toques inadequados e uma agressão sexual em um banheiro.

Na corte, Gilmar pagou uma fiança de US$ 10 mil e foi colocado em liberdade, tendo sido detido pela Imigração por ser indocumentado e deportado para o Brasil cerca de dois meses depois. Em princípio Gilmar não admitiu e negou as acusações.

“Ele escapou impune ao mal que fez a uma criança, pois a sua situação de imigrante ilegal, fez com que fosse deportado antes do julgamento. Ele traiu a confiança da família”, diz uma pessoa com conhecimento dos fatos. Tanto a mãe como a criança que hoje tem 10 anos estão sendo acompanhadas por terapeutas e psicólogos.

Os abusos contra crianças acontecem na imensa maioria das vezes com pessoas que fazem parte do círculo familiar, incluindo parentes diretos como pais, irmãos, avôs, tios, cunhados e primos. Amigos, padrinhos e/ou pessoas que frequentam as casas estão entre os mais frequentes abusadores sexuais contra crianças indefesas, que são pressionadas a não contar para seus pais os ataques perpetrados por predadores sexuais.

Pai abusador está impune no Brasil
“Em um estado do Sudeste, uma brasileira se casou com um brasileiro que era filho de um americano, veterano dos US Marines e obreiro de uma igreja. Ela teve duas filhas com ele, legalizou-se e serviam na igreja juntos. Cerca de seis anos após ela se tornar cidadã americana a Swat arrombou sua porta junto com o ICE e prenderam ela e o marido por fraude imigratória – o homem havia forjado documentos de nascimento para parecer ser filho de cidadão americano e jamais serviu no Marines. Os dois foram indiciados em uma corte federal e tiveram suas cidadanias revogadas. Ele ficou preso dois anos e foi imediatamente deportado. Ela, como não tinha conhecimento da verdade antes de ser presa, e tem duas filhas americanas e constatou-se que o marido era de fato um psicopata, recebeu seis meses de prisão e um ano de probation além da revogação de cidadania. Ela mudou-se com as filhas para New England e no ano passado a filha mais velha, que tem atualmente 16 anos, reportou que havia sido abusada sexualmente pelo pai desde os nove anos de idade. Ela tentou reportar onde mora e acabou tendo que ir ao estado onde morava fazer o queixa. As autoridades enviaram uma notificação ao governo brasileiro, que até hoje não fez nada e sabe-se que até um passaporte novo foi emitido ao pai da menina, que ameaça a ex-esposa e as filhas sempre que tem algum contato. Infelizmente o Brasil não extradita para nenhum país o seus cidadãos, e portanto o crime está impune, mesmo que o Brasil poderia, em tese, indiciar o pai por abuso de menor porque a filha é brasileira nacional. Uma aberração”, conta uma pessoa que tem familiaridade com os fatos e teve o seu nome omitido.

Proteja seus filhos dos agressores sexuais
• Desconfie de amizades repentinas de seus filhos com pessoas mais velhas;
• Questione presentes e valores em dinheiro que seus filhos ganhem sem motivo aparente;
• Não deixe seus filhos a sós com pessoas que demonstrem carinho e atenção excessivos;
• Fique atento a qualquer mudança brusca de comportamento dos seus filhos, especialmente choro, agressividade e introspecção – estas características podem significar problemas;
• Verifique as páginas e sites visitados por seus filhos na internet;
• Verifique arquivos e e-mails trocados por seus filhos;
• Verifique se há sinais de sangue nas roupas íntimas dos seus filhos;
• Se tiver dúvidas de que seus filhos estão sendo abusados emocional e sexualmente, busque ajuda especializada, inclusive das autoridades policiais;
• Proteja, ampare e ame seus filhos se eles forem abusados ou molestados. É a melhor forma de minorar o sofrimento.

Reportagem publicada originalmente no Jornal dos Sports USA. Fotos: reprodução de redes sociais

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