Ouvindo a pessoa errada…

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Este artigo era para ter sido uma reportagem sobre uma família que resolveu voltar ao Brasil depois de dez anos de América. Teria sido uma reportagem interessante se não fosse por alguns aspectos a ser considerados. Não voltam amargurados e nem decepcionados, mas na expectativa de rever alguns conceitos familiares e dispostos a aplicar nas suas vidas algumas lições que aprenderam às duras penas. Lamentação mesmo foi ter perdido a oportunidade de se legalizar na última oportunidade concedida pelo governo em 2001.

Foram desestimulados por um amigo que dizia não acreditar no processo, que demoraria muito, que era muito caro, que era uma armadilha, etc.

Na época o patrão do chefe da família não só assinava os papéis como pagava integralmente o processo. Na dúvida e por sugestão do amigo não fizeram nada. Tempos depois descobriram que o tal amigo tinha entrado com o processo e anos depois se tornou cidadão americano, benefício que foi estendido para toda a família dele.

Diante do caminhão com um container parado na porta da casa onde moraram por muitos anos, depositavam aquilo que era mais importante, ao mesmo tempo que vendiam algumas outras coisas que não pretendiam levar para o Brasil. Os três filhos foram educados aqui, aprenderam a falar inglês, e de lamentável mesmo, só o mais velho que se envolveu com más companhias e fazia parte de uma gangue e esteve preso durante um tempo.

Tudo isto foi abatendo o moral da família, até que decidissem ir embora de vez, deixando para trás expectativas e sonhos. Mas o que isto significa para nós que vamos ficando?

Significa que temos de aproveitar todas as oportunidades, mesmo aquelas que são rápidas e que não podemos vacilar um instante sequer. Outra lição, é a de quem vamos ouvir para tomarmos as decisões que vão influenciar as nossas vidas. No caso desta família, eles ouviram a pessoa errada, que os desestimulou e colocou nas suas cabeças uma série de dúvidas das quais não conseguiram se livrar ou achar respostas.

O que fica aqui é a certeza de que todas as oportunidades de legalização que surgirem tem que ser devidamente aproveitadas, pois quem poderia dizer que após quase 14 anos depois milhões de indocumentados ainda esperam por uma chance para sair das sombras?

Tampouco, conseguiram atentar para as necessidades dos filhos, que ficaram entregues a própria sorte até que o mais velho enveredasse por caminhos ruins. Não há dinheiro no mundo que pague o bem estar da família. Por mais que se precise trabalhar há de se ter um tempo de lazer, de descanso, de não fazer nada, de passear, de aproveitar cada instante.

Trabalhar é preciso e necessário, mas o bem estar físico, emocional e espiritual é mais importante que o financeiro, se bem que todos estão estreitamente ligados um ao outro.

A decisão de ir embora nada tem a ver com a o pessimismo que é propagado em alguns círculos, ou mesmo por pessoas pessimistas que existem em todos os lugares. Conviver com a falta de documentos não é a pior situação que algumas pessoas podem enfrentar, pois sempre há uma oportunidade ou uma porta aberta para quem souber aproveitar.

Sempre teremos decisões difíceis a ser tomadas, principalmente aquelas que exigem uma mudança de vida radical como deixar de lado a oportunidade que muitos buscam ter uma única vez na vida.

Portanto, não acreditem quando alguém dizer que não há perspectiva nos Estados Unidos e nem que as coisas não darão certo para você. Dedique-se a você, à sua família, para evitar que a única possibilidade seja um container parado na sua porta, ou as suas coisas serem vendidas ao primeiro que aparecer.

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