Os riscos de um casamento fraudulento e de conveniência

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Maria Cristina está de férias no Brasil, depois de trabalhar por cinco anos em Portugal e França como estilista especializada em vestidos de noivas. Depois de morar por 10 anos indocumentada nos Estados Unidos, Cristina resolveu que tinha que regularizar a sua situação e através de uma amiga soube uma mulher muito conhecida em Massachusetts que lhe arrumou um casamento de conveniência que lhe custou em 2008 cerca de US$ 12 mil. Com a intermediação de uma amiga, deu seu depoimento ao blog com a condição de não ser identificada.

O ‘marido’ era Jim, um americano dez anos mais velho do que ela que era separada do esposo com quem tivera dois filhos que moravam no Brasil. “Como parte do acordo, pagava o telefone e o seguro do carro do Jim por dois anos, até que tivesse o green card definitivo. Eu morava na minha casa e ele na dele. Mas ele tinha as chaves da minha casa e volta e meia trocávamos de carro. Pelo menos uma vez por mês ele dormia no quarto de hóspedes da minha casa e era um saco, porque ele não tomava banho e a casa ficava contaminada pelo cheiro do cigarro, além da bagunça que ele fazia. Uma vez eu fui a New York para arrumar uma noiva e quando voltei minha casa estava cheia dos amigos e amigas dele. Arrumei uma briga e disse a ele que nunca mais fizesse aquilo, pois algumas coisas minhas foram levadas pelas pessoas que estavam lá. Volta e meia, o Jim me pedia dinheiro para alguma coisa. Se ele me pedia US$ 100, eu dava 40. Enfim, um saco, pois ele era inconveniente na maioria das vezes. Um dia chegou na minha casa bêbado e eu estava com uma cliente. Ele começou a falar um monte de bobagens e até abordou a situação do casamento. Queria dinheiro e quando dei a ele US$ 60, falou que era pouco e que se eu não desse US$ 200 ele ia desfazer tudo. Minha cara caiu no chão, pois fui exposta dentro da minha casa. Dei o que tinha na carteira e no dia seguinte botei o dedo na cara dele e disse que se tornasse a fazer aquilo eu ia chamar a polícia. Mas a situação pior foi quando o IRS tirou um dinheiro que eu havia colocado em uma conta corrente com ele por causa de imposto de renda atrasado. Foram US$ 800 e poucos, sem contar que por causa de multas e de um acidente com o carro dele, o seguro subiu muito. Bem, depois de tantos problemas e desgastes, fomos para a entrevista na Imigração e foi um desastre total. Diante do agente de Imigração descobri que era o terceiro casamento dele com uma imigrante e bastaram umas poucas perguntas para que o casamento falso fosse constatado. O processo foi cancelado e diante disto optei por ir embora dos Estados Unidos. O Jim mandou uns recados dizendo que eu o prejudiquei e que ele foi processado por causa disto. Nunca respondi e voltei frustrada, magoada, me sentido desiludida e lesada. Uns meses depois, uma amiga com quem eu havia trabalhado em São Paulo me procurou dizendo que estava morando em Paris e que havia uma demanda muito grande para profissionais como a gente. Fui para a França onde conheci o João Anselmo, um português de Lisboa, nos casamos e hoje moramos em Portugal e passo parte do mês em Paris e duas vezes por ano vou a Milão na Itália trabalhar em umas oficinas de alta costura. Não me falta trabalho e ganho muito mais do que nos Estados Unidos, além de poder ir e vir a vontade”, afirmou. “Se eu pudesse imaginar que iria passar por tudo aquilo, jamais teria forjado um casamento, principalmente porque a mulher que intermediou o negócio sabia de tudo e não me avisou nada. Senti-me lesada, duplamente pela mulher e pelo americano que me extorquiu e abusou o tempo todo. Sei de casos que deram certo, mas o meu foi um fracasso que só me trouxe prejuízo, também não me julgo inocente, pois sabia o que estava fazendo e me arrependo disto”, complementa.

Casos como o de Maria Cristina são mais comuns do que se pensa e são descobertos de muitas formas, principalmente quando é feito o ajuste de status, baseado em um casamento com um cidadão americano nato ou naturalizado. Embora tenham combinado as respostas, Jim respondeu de forma diferente metade delas, que junto com seus casamentos anteriores com imigrantes desfeitos, configuraram a fraude.

A pena é de até cinco anos de prisão e multas até US$ 250 mil. Os fraudadores poderão ser acusados de fraude de vistos, conspiração, falsas declarações que podem ter acréscimo de pena.

Invariavelmente, muitas fraudes são descobertas durante as entrevistas que são feitas separadamente com o requerente e o candidato com perguntas iguais. Se o casal de fato não vive junto, se as respostas não coincidirem o que possibilitará ao oficial negar o green card. Neste caso, o candidato irá para a corte de imigração para ser removido ou deportado.

Tanto o cidadão quanto o requerente terão que provar para a Imigração que o casamento é de boa-fé e que estão de fato vivendo maritalmente. Nestes casos, junte tudo o que poder provar que o casamento é verdadeiro e real.

“Case sempre por amor”, costuma repetir tantas quantas vezes for necessário o advogado Ludo Gardini.

O que pode provar que um casamento é verdadeiro (entre outros) 
– Mesmo endereço
– Fotos do casamento, de viagens, festas e passeios
– Filhos
– Conta corrente bancária em conjunto
– Conta de telefone
– Seguro de carros
– Testemunhos de amigos e pessoas conhecidas
– Rotina diária típica de um casamento
– Consulte-se com um advogado

Imagem meramente ilustrativa

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