Onde está o Lula sindicalista?

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Certamente o grande ausente nas manifestações de rua no ano passado no Brasil foi o ex-líder sindical Luiz Inácio da Silva, o Lula que era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e que certa vez no Estádio de Vila Euclides em São Bernardo do Campo fez um discurso arrebatador e eletrizante. Lula, ia para as portas das fábricas a qualquer hora do dia ou da noite e de cima dos carros de som dizia o que os trabalhadores precisavam ouvir e o que os patrões e poderosos temiam o tempo todo. Aquele Lula combativo que transpirava em bicas na luta pelos direitos dos trabalhadores e do restabelecimento pleno da democracia, que se postava ao lado dos injuriados e dos desvalidos, que berrava e vociferava contra a corrupção e contra o sistema político vigente deu lugar a um homem mofino, covarde, omisso e ao mesmo tempo refinado que só toma whisky do bom e usa ternos refinados, que perdeu a embocadura que o fazia indignar-se ao menor sinal de injustiça contra o oprimido. O Lula de hoje deixou de lado o tino para a moralidade para se tornar num homem que nunca sabe de nada e que se esconde atrás de portas e cortinas temeroso com a massa que brada lá fora.

Lula tomou gosto pelo poder e pela liturgia do cargo e as mordomias inerentes ao exercício do maior posto numa república. O Lula de hoje, mesmo sendo um homem ignorante do sentido lato do termo e pouco parece se importar com o que os outros pensam, valendo somente o que ele do alto da sua arrogância e soberba pensa e coloca em prática.

Na semana passada Lula deu outro sinal da sua mitomania e megalomia numa entrevista para a RTP de Portugal. Falou pelos cotovelos e engoliu a entrevistadora que perdeu o controle da entrevista. Atacou o Supremo Tribunal Federal demonstrando todo a sua ojeriza pelas instituições seculares estabelecidas ao afirmar que o julgamento da ladroagem do Mensalão foi político e que a história um dia vai ser reescrita não se sabe por quem.

Talvez seja mesmo pela prática que os antigos dirigentes da extinta União Soviética faziam quando queriam defenestrar algum inimigo. Apagavam seus nomes, fotos e citações oficiais e agiam como se não houvessem existido um dia. Talvez no mundo imaginário de Lula e seus cupinchas seja deste modo que a história do Mensalão vá ser reescrita.

Que ninguém se engane com Lula pois ele não tem pruridos o o impeça de se um dia voltar ao poder fechar o Brasil do modo como é Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia e outras republiquetas mundo afora. O seu desejo e da sua turma é desde sempre controlar a mídia e a imprensa de quem aparentemente são inimigos.

Outra covardia de Lula foi dizer que seus companheiros que estão na cadeia não são pessoas da sua confiança e denota nesta atitude que pode sim puxar o tapete da presidente Dilma e ser ele o candidato. Como se chega a está conclusão? Simples. Se ele não respeita ou honra os companheiros de primeira hora e de longa data, como vai honrar qualquer compromisso com Dilma?

Ao que parece, Lula quer se dissociar dos mensaleiros presos pois isto é cômodo e confortável para o seu projeto de poder, pois afinal quem quer aparecer e surgir ao lado de ladrões condenados?

É de se duvidar que Lula não sabia das tramoiagens que se faziam nas salas contíguas à sua, como ele disse quando tudo foi revelado e o seu silêncio diante da descoberta de outra alta ladroagem no escritório da presidência da república em São Paulo, que era comandado por uma apaniguada sua, para não usar outro termo mais apropriado. Rose Noronha, ao que se sabe tinha um relacionamento com Lula de longa data, mas ele mais uma vez saiu-se pela tangente.

Talvez Lula de uma volta em Dilma e se eleja presidente do Brasil mais uma vez, o que será de todo lamentável e catastrófico para a nossa gente, mas fazer o que?

O Lula de hoje não quer a companhia dos manifestantes que tanto acompanhou e que sabia como poucos eletrizar. Enfim, o Lula de hoje que abandona os companheiros a própria sorte é uma sombra pífia do que foi no passado e que reclama de preconceito e teima em culpar a imprensa e as elites pela sua covardia. Uma pena que tenha se tornado num espectro do que foi no passado…