O flagelo do terrorismo – o atentado de Paris

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Terroristas muçulmanos mataram cartunistas e jornalistas da revista Charlie Hebdo em Paris por causa do conteúdo de algumas charges, notadamente retratando o islamismo, já que que a publicação é tida como satírica. Parte deste texto abaixo foi escrito há alguns anos, mas é atual e pertinente.

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Uma das capas da Charlie Hebdo, retratando Maomé. Reprodução

Anos atrás, o terrorismo era eminentemente com fins políticos ou de protesto. Setembro Negro e OLP – Organização de Libertação da Palestina – palestinos; Baader-Meinhof – alemão, Brigadas Vermelhas – italiano, IRA – irlandês; Sendero Luminoso – peruano; ETA – basco, Hizbollah – Partido de Deus – libanês; FARC – colombiano entre outros grupos.

Alguns destes grupos como Setembro Negro, Baader-Meinhof e Brigadas Vermelhas estão extintos ou já abandonaram a luta armada, e faziam terrorismo circunscrito aos seus países. Muitos foram vitimados por explosões, atentados, seqüestros, assassinatos, assaltos e incontáveis mortes, outros ainda estão na ativa ou optaram pela negociação política para conseguir os seus objetivos.

Hoje o terrorismo têm fins religiosos na maioria das vezes. Novas organizações com dirigentes radicais e fanatizados pela falsa religião, que acreditam piamente que suas causas são nobres e as suas ações são justas.

O jornalista francês Gilles Lapouge afirmou tempos atrás numa brilhante análise que “esses assassinos cegos consideram-se santos, heróis, pessoas sacrificadas, que hoje provocam desgraça com o objetivo de preparar a felicidade de amanhã”.

Os ataques são perpetrados por suicidas que buscam impingir o maior dano possível no lado atacado. Esta tática é muito usada por grupos palestinos que na figura de solitários homens-bombas – considerados “mártires” – explodem em lugares de grande concentração de pessoas. A partir dos anos 90, os atentados terroristas passaram a ser feitos com carros-bombas e o único objetivo era causar o maior número possível de mortes e destruição. Num atentado em 1997, dois terroristas suicidas, transportando cada um 10 quilos de TNT – 100 gramas de TNT é suficiente para explodir uma tonelada de rocha – explodiram seus corpos num mercado em Jerusalém matando 13 pessoas e ferindo 170, muitas com mutilações permanentes.

São milhares de mortos em atentados terroristas, em todo o mundo, e ao que parece este número tende a aumentar nos próximos anos. Uma nova onda de terrorismo invadiria o mundo apartir da guerra do Afeganistão. Milhares de muçulmanos de vários lugares do mundo se alistaram como voluntários para expulsar os infiéis ateus que invadiram o solo sagrado muçulmano. Deu-se início aí à guerra santa e os alistados passaram a ser chamados de mujahedins ou guerreiros santos. Depois de dez anos de luta, eles venceram, com armas fornecidas pelo ocidente. Entre estes mujahedins estava Osama bin Laden e a história do mundo mudou a partir dele. Frio, calculista, sanguinário, impiedoso e arrogante, bin Laden que dono de uma imensa fortuna pessoal, colocou tudo isto a serviço de uma causa – impor ao mundo uma nova e mortal ordem – a de matar civis em nome de Deus.

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A sátira ao que outros consideram tabu é uma das características da Charlie Hebdo. Reprodução

Fundador e mentor da Al Qaeda – a Base – bin Laden, foi o mentor do maior ataque terrorista de todos os tempos. Ao atacar o World Trade Center em New York, em setembro de 2001, onde morreram mais de três mil pessoas, e de patrocinar outros atentados nos anos seguintes, bin Laden deu mostras suficientes que se o mundo civilizado permitir ele colocará fogo no planeta em nome de Deus e da sua religião. Para os mujahedins eles são o instrumento e o canal para livrar primeiro a Arábia e depois o mundo dos infiéis. E para isto usam explosivos.

Quando em 1996, bin Laden declarou guerra aos Estados Unidos, ninguém lhe deu muita importância, depois o mundo viu que ele falava sério. A funesta Al Qaeda, volta e meia dá as caras e mostra os seus dentes arreganhados, embora o seu fundador estivesse entocado feito um rato numa toca fétida qualquer por lhe faltar coragem de colocar a cara de fora e sua vida não valia um tostão furado, até que fosse achado e exterminado por um comando americano.

Recentemente, o que se vê são os decapitados do fúnebre Estado Islâmico provocando calafrios de pavor e medo por onde passa querendo impor a sua visão pré-medieval de como deve ser a religião.

Nesta manhã de 7 de janeiro em Paris, fanáticos exterminaram a tiros 12 pessoas e feriram outras tantas, pelo simples motivo de se sentirem ultrajados na sua pseudo crença, já que seu profeta foi de algum modo retratado. É óbvio que tudo isto é inadmissível pois não se pode eliminar brutalmente a tiros que se lhes discorde ou contradiga. Entre os mortos está Stéphane Charbonnier, editor da Charlie Hebdo.

O atentado contra o corpo editorial da revista Charlie Hebdo é das piores coisas que poderia ter acontecido nos últimos tempos. Porém, não será o derradeiro, já que essa gente parece se especializar em cometer barbáries em pleno mundo civilizado como se estivessem nos seus chiqueiros e currais. Resta a indignação, o pasmo e o espanto causado por tamanha violência e é uma pena que tenham sido provocadas por charges que expressam o sentido de anarquia que deveria ser inerente a todos os homens…

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