Lula (ainda) não está acabado

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Lula (ainda) não está acabado. Embora o cerco ao ex-presidente se acentue cada vez mais por parte da justiça, ele (ainda) não acabou. O que se vê atualmente é um verdadeiro jogo de paciência entre Lula e seus possíveis algozes que juntam provas e mais provas de que ele transgrediu leis e fraudou a consciência publica ao permitir que debaixo do seu nariz se praticassem as piores coisas das últimas décadas da história republicana brasileira.

Aliás, roubo na esfera pública nunca foi novidade e sempre houve de tudo e das coisas mais escabrosas e tenebrosas. O Brasil faria um imenso bem a si mesmo deixando-se passar a limpo, investigando, indiciando, punindo e prendendo todos os que um dia cometeram desvios de dinheiro e que estão vivos.

Poderia também apontar os que já se foram e que se locupletaram e se valeram dos cofres públicos.

Porém, a bola da vez é exatamente Lula que sempre gostou da imprensa que lhe deu vez e voz no passado, mas de quem hoje ele foge como o cão da cruz. Lula só fala a sabujos e jornalistas que são simpáticos à causa petista, talvez por medo de ser confrontado com a verdade que nem ele e nem seus devotos querem admitir.

O ex-líder sindical Luiz Inácio da Silva, o Lula que era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e que certa vez no Estádio de Vila Euclides em São Bernardo do Campo fez um discurso arrebatador e eletrizante. Lula, ia para as portas das fábricas a qualquer hora do dia ou da noite e de cima dos carros de som dizia o que os trabalhadores precisavam ouvir e o que os patrões e poderosos temiam o tempo todo. Aquele Lula combativo que transpirava em bicas na luta pelos direitos dos trabalhadores e do restabelecimento pleno da democracia, que se postava ao lado dos injuriados e dos desvalidos, que berrava e vociferava contra a corrupção e contra o sistema político vigente deu lugar a um homem mofino, covarde, omisso e ao mesmo tempo refinado que só toma whisky do bom e usa ternos refinados, que perdeu a embocadura que o fazia indignar-se ao menor sinal de injustiça contra o oprimido. O Lula de hoje deixou de lado o tino para a moralidade para se tornar num homem que nunca sabe de nada e que se esconde atrás de portas e cortinas temeroso com a massa que brada lá fora.

Lula tomou gosto pelo poder e pela liturgia do cargo e as mordomias inerentes ao exercício do maior posto numa república. O Lula de hoje, mesmo sendo um homem ignorante do sentido lato do termo e pouco parece se importar com o que os outros pensam, valendo somente o que ele do alto da sua arrogância e soberba pensa e coloca em prática.

Talvez seja mesmo pela prática que os antigos dirigentes da extinta União Soviética faziam quando queriam defenestrar algum inimigo. Apagavam seus nomes, fotos e citações oficiais e agiam como se não houvessem existido um dia. Talvez no mundo imaginário de Lula e seus cupinchas seja deste modo que as histórias do Mensalão e do Petrolão vão ser reescritas.

Que ninguém se engane com Lula pois ele não tem pruridos o o impeça de se um dia voltar ao poder fechar o Brasil do modo como é Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia e outras republiquetas mundo afora. O seu desejo e da sua turma é desde sempre controlar a mídia e a imprensa de quem aparentemente são inimigos.

Outra covardia de Lula foi dizer que seus companheiros que estão na cadeia não são pessoas da sua confiança e denota nesta atitude que pode sim puxar o tapete da presidente Dilma e ser ele o candidato. Como se chega a esta conclusão? Simples. Lula acha que qualquer investigação que o atinja é um insulto ao seu passado. Não é não.

É de se duvidar que Lula não sabia das tramoiagens que se faziam nas salas contíguas à sua, como ele disse quando tudo foi revelado e o seu silêncio diante da descoberta de outra alta ladroagem no escritório da presidência da república em São Paulo, que era comandado por uma apaniguada sua, para não usar outro termo mais apropriado. Rose Noronha, ao que se sabe tinha um relacionamento com Lula de longa data, mas ele mais uma vez saiu-se pela tangente.

As investigações da operação Lava Jato caminham a passos céleres para alcançar Lula e será um insulto ao Brasil, ético, honesto, digno e também o descrédito das hostes jurídicas.

O Lula de hoje que abandona os companheiros a própria sorte é uma sombra pífia do que foi no passado e que reclama de preconceito e teima em culpar a imprensa e as elites pela sua covardia. Uma pena que tenha se tornado num espectro do que foi no passado, ou seja, um homem, ou melhor, um político que – ainda – não está acabado, mas cujo epitáfio político dirá um dia, que aqui jaz um corrupto…

Publicado no Jornal dos Sports USA. Foto: reprodução do Facebook

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