‘FUI enganada’, diz mãe separada de filho na fronteira por 43 dias

Diego ficou longe da mãe em um abrigo por 43 dias

0
1497

Em entrevista exclusiva ao radialista Silvio Brauná e o jornalista Jehozadak Pereira, no Programa Nova Voz do Brasil, na Rádio WLYN 1360 AM em Boston, na sexta-feira, 6, a brasileira Sirley Silveira Paixão, contou o drama que passou ao ficar longe do filho Diego Magalhães, de 10 anos, por 43 dias, depois de ter sido detida na travessia da fronteira do México com os Estados Unidos, no auge da política de tolerância zero do governo federal, que separava pais e filhos, medida que foi interrompida pelo pelo presidente Trump.

Sirley que vive com o filho na região do MetroWest em Massachusetts, recuperou a guarda do seu filho na quinta-feira, 5, em Chicago, Estado de Illinois por ordem do juiz federal Manish S. Shah. Sirley chegou aos Estados Unidos no dia 23 de maio, através da cidade de Santa Teresa, Estado do Novo México onde pediu asilo. Dali foi levada com Diego para El Paso, Estado do Texas onde foi separada do filho que foi levado para um abrigo em Chicago. “Quando levaram meu filho, disseram que era por cinco dias. Eles mentiram para mim e para ele”, disse Sirley Paixão.

Com limitações impostas pelos seus advogados, Sirley Paixão contou algumas passagens da separação entre ela e seu filho que foi manchete e destaque nos principais meio de comunicação dos Estados Unidos. Ao ser detida, Sirley permaneceu por dois dias com o filho antes da separação. 

“Fui separada do meu filho em Santa Teresa, sendo levada para uma cadeia federal e o Diego para um abrigo. Quando perguntei para onde eles estavam levando-o não me disseram. Na madrugada do dia 23 para o 24 de maio eles me chamaram e disseram que atravessar a fronteira ilegalmente era crime federal e que eu ia ser transferida e para onde eu estava indo, ele não poderia estar comigo. Por isso eles o levariam para outro lugar. Disseram que ele seria bem tratado e bem cuidado. Naquela hora o meu mundo acabou porque não sabia o que iria se passar com meu único filho. Ele entrou em estado de choque, passou mal e não obtivemos nenhum tipo de assistência por parte dos oficiais de Imigração. Ele teve uma febre muito forte de fundo emocional e dizia que não ia se separar de mim e que não ia a lugar algum se não fosse comigo. Quando o Diego começou a vomitar eles viram que o caso era sério e que não era chantagem emocional para ele não ir para onde eles queriam levá-lo. Quando ele estava no hospital, as outras crianças foram levadas embora porque eles juntam um grupo. Na tarde daquele dia, eles chamaram o meu filho e o levaram embora, já que ele era a única criança que havia ficado para trás. Quando eu perguntei quantos dias ele ia ficar longe de mim, eles disseram que era por cinco dias. ‘Daqui a cinco dias, você terá seu filho de volta’, me disseram. Só que estes cinco dias se transformaram em 43 dias. Enquanto eu estava detida não tive nenhum contato com o meu filho em momento algum. Foram 21 dias sem saber de nada sobre ele”, afirma.

Sirley foi libertada no dia 13 de junho e localizou Diego no dia seguinte, através de uma outra brasileira cuja filha havia sido levada para o mesmo abrigo do menino. “Ela me deu o número do abrigo e disse que era para ligar lá, e foi assim que achei o Diego. No telefone que os oficiais me deram eu não consegui localizar meu filho de jeito nenhum e na semana passada eu entrei na justiça em Chicago para resgatar o meu filho e obtive a autorização para buscá-lo Fui para lá na quarta-feira, 4, e no fim da audiência ele foi liberado imediatamente. Quando o reencontrei ele chorou bastante, mesmo que eu tivesse visitado-o no abrigo na semana anterior. Foram muitos papéis e burocracia para que eu conseguisse ele de volta e não fizemos exame de DNA”, continua. “É uma situação muito difícil e complicada pois tive que ficar 43 dias longe do meu filho, mas eu faria tudo de novo. Só não quero mais ficar longe dele. Não posso falar sobre os motivos que me fizeram vir para os Estados Unidos. Na corte me disseram que se eu desejasse lutar para ficar aqui e se quisesse voltar para o Brasil, ele ficaria aqui. Claro que não aceitei. Me senti enganada quando eles prometeram para mim e meu filho que a separação duraria cinco dias e não foi isto o que aconteceu. Ele contou nos dedos os dias e ficou decepcionado pois é uma criança. Depois que o localizei no abrigo e telefonava, ele me perguntava quando ia sair dali e eu não tinha nada a dizer sobre isto”, finaliza, dizendo que quer tocar a vida adiante, colocar o filho na escola e que o período de separação será como uma cicatriz que fica depois de um processo doloroso.

Ao ser indagada sobre se Diego foi maltratado ou abusado, Sirley afirmou que não poderia responder por orientação dos seus advogados.

Fotos: arquivo pessoal

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here