Especial racismo: quem eles iriam tirar do estádio? A velhinha branca ou o negro jamaicano?

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A partir deste depoimento inicia-se uma série de reportagens sobre racismo e preconceito que pessoas sofreram de algum modo. Os depoimentos são espontâneos e seus autores pediram ou não o anonimato. Neste depoimento, Ricardo Seiler Martins, morador em Marlbourough conta o acontecido com seu amigo Albert, um jamaicano com quem foi assistir um show de Elton John, anos atrás em Manchester, New Hampshire. Ricardo é de Curitiba e mora nos Estados Unidos há 12 anos.

‘Quem você acha que eles iriam tirar do estádio? A velhinha branca ou o negro jamaicano?’
“Há alguns anos, fui com um grupo de amigos à cidade de Manchester, NH, para assistir ao show do Elton John. Foram também um casal de amigos nossos, ele negro jamaicano e ela brasileira.
Como eles decidiram comprar os ingressos em dia diferente dos demais, acabaram tendo que sentar do outro lado do estádio, por causa da numeração dos ingressos. Durante o show, uma velhinha branca ficou o tempo todo reclamando que não conseguia ver nada, porque o Albert é muito grande, e ela o perturbou do começo ao fim do show. Na volta perguntei ao casal se gostaram, ao que ele me relatou o que expus acima. Então perguntei a ele: – Mas por que você não reagiu e mandou a velha se calar, ou mandou ela para qualquer outro lugar? A resposta veio em forma de pergunta e foi chocante para mim, porque não tinha conseguido me colocar no lugar dele.
– Se eu tivesse discutido com ela, quem você acha que eles iriam retirar do estádio?
– Uma velhinha, branca, pequena e americana?
– Ou um negro, jovem, grande e jamaicano?
– Eu paguei para assistir ao show e quis assistir até o fim!
Neste momento, ele estava com os olhos marejados, e também pude sentir o tamanho da dor que ele estava sentindo.
Fiquei profundamente triste comigo mesmo, por nunca ter realmente assimilado o quão duro é sofrer preconceito racial, quanta angústia, quantos sapos nossos semelhantes tem que engolir por conta de pessoas que se julgam melhores somente por causa da raça e local de nascimento. A maioria dessas pessoas aprendem o racismo na infância e disseminam o preconceito até a velhice, e ainda frequentam igrejas, certos de que não fazem mal aos outros, porque ser um racista é normal para eles e aquilo me chocou muito”.

Imagem meramente ilustrativa

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