CARTAS de Boston # I

Texto e conteúdo de primeira

0
129
Boston

I

Nascido numa vila e paróquia chamada Wrington, em North Somerset, Inglaterra, em 29 de agosto de 1632, John Lucke estudou medicina, ciências naturais e filosofia em Oxford, uma das mais conceituadas universidades do mundo, mergulhando nas obras de Francis Bacon, René Descartes e Thomas Hobbes.

Considerado o pai do liberalismo político é um dos mais importantes filósofos do empirismo, uma corrente de pensamento que admite que todo o conhecimento é conquistado somente por meio das experiências, ao invés  de deduções apenas.

É uma ciência com base na observação do mundo, rejeitando peremptoriamente explicações baseadas unicamente na fé.

Ele afirmava que ao nascer, a mente das pessoas é como uma “tábua rasa” ou uma “folha em branco” e somente a partir das experiências é que as ideias são formadas.

Esses aprendizados podem ser externas, relacionadas às sensações, quanto internas, provenientes de reflexões.

É uma visão que exclui a ideia de ter um conhecimento universal, uma vez que o processo é diferente para cada pessoa.

O pensamento é apenas um receptor passivo. Um processador de todas as experiências, transformando-as em conhecimento e modelando a personalidade.

Para Lucke, todos os seres humanos nascem bons e a sociedade é responsável por corrompê-los.

Na obra Dois Tratados sobre o Governo Civil condena o direito divino dos reis. O absolutismo e o autoritarismo.

Foi um grande defensor, como Montesquieu, da divisão do estado em três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Era contra o envolvimento da igreja com o Estado. Por conta disso, foi contestado e até perseguido pela Igreja Católica.

Deu contribuições importantes para o liberalismo. Uma de suas teses dizia que o poder político não deveria ser determinado pela condição de nascimento.

Características básicas do liberalismo até nossos dias, suas obras tratam da livre propriedade e da livre iniciativa econômica sem intervenção do Estado.

Chamado e defendido pelos liberais de hoje de o Estado mínimo. 

Não pode ser considerado um iluminista de fato como foram Voltaire, Jean-Jacques Rousseau e Immanuel Kant, mas teve fundamental influência no pensamento do século XVIII.

Suas ideias surgiram a partir das revoluções inglesas. Defensor da Monarquia constitucional e representativa, teve que fugir para a Holanda, depois de acusado de traição. Voltou ao país no fim da Revolução Gloriosa, em 1688, quando publicou suas primeiras obras: Ensaio sobre o entendimento humano e Cartas sobre a tolerância. 

Solteiro e sem filhos, ocupou cargos no governo até sua morte, em 1704.

Contam que certa feita, na casa de um amigo, Lucke sentado, ficou observando os filhos brincando com blocos de madeira com letras desenhadas. 

Sabia, por conversas com o casal, que o mais velho aprendera a ler brincando com as peças.

Aquilo tomou tempo na cabeça do pensador. O que não era nada incomum. 

Até que um dia ele resolveu escrever sobre o assunto.

Seus pensamentos foram parar em seu livro mais famoso, Alguns Pensamentos sobre Educação, de 1693.

O tema abordado por ele ganhou o nome de Os Blocos de Lucke.

Possivelmente, foram os primeiros brinquedos projetados para ampliar as habilidades e o conhecimento das crianças.

Surgiram depois os quebra-cabeças e outros brinquedos na mesma linha educativa que acabaram provocando uma nova corrente e criando uma nova instituição: a loja de brinquedos.

O advento dos brinquedos educativos e estimulantes determinou aos pais e educadores uma nova concepção de educação.

Um processo que ainda segue evoluindo. Aperfeiçoando cada vez mais os estudos e as relações humanas. 

E nesse processo, sem dúvida, John Lucke merece um lugar de destaque.

Gerald D, é um ávido leitor de coisas boas e ouvinte de coisas melhores ainda. Por anos Gerald D escreve sobre literatura, música, costumes e coisas do cotidiano que não passam desapercebidos do seu campo de visão

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here