CARTAS de Boston – especial Alan Parker

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Nicolau Maquiavel escreveu um livro em 1513, que reflete a atualidade do poder e da política
Alan Parker
14 de fevereiro de 1944 –
31 de julho de 2020

Morreu Alan Parker. Sexta-feira, 31, aos 76 anos de idade.

Sua morte foi confirmada pelo Instituto Britânico de Cinema.

Alan era aquele tipo de diretor que foi muito além da simples capacidade de dirigir.

Marcou duas gerações inteiras.

Tinha um estilo todo próprio de fazer do simples e do trivial algo memorável.

Pertencia a uma geração de grandes cineastas britânicos que inclui Ridley Scott, que conseguiram transformar filmes comerciais em sucessos de bilheteria sem esquecer da qualidade.

Tinha o talento de abordar temas leves, tensos e espinhosos sem perder a mão do grande diretor.

E a lista é grande e marcante!

Quem não lembra de ‘Midnight Express’ (Expresso da Meia Noite), de 1978, que marcou uma geração inteira e continua marcando até nossos dias como um alerta os jovens de primeiro mundo sobre os perigos de traficar drogas em países como Turquia e Marrocos.

Imagens que chocam até hoje revelam a brutal realidade dos presídios de países do terceiro mundo.

Entre os anos 80 e 90, marcaram um tempo de espectativas e filas em cinemas pelo mundo para ver o próximo êxito de Parker.

E a lista é de grife!

Alguns outros: ‘Fame’ (Fama), 1980, um verdadeiro fenômeno que virou série de televisão depois, mostrava os conflitos de uma turma de jovens com suas danças, músicas, sonhos e sofrimentos de um ângulo diferente do cotidiano de New York.

Até as malhas e meias de lã usadas por Irene Cara e copiadas pelo mundo, chegaram ao delirante ‘Flashdance – What a Feeling’ (Flashdance – Em ritmo de embalo) usadas pela bela Jennifer Beals.  

Pink Floyd – The Wall, 1982, uma espécie de videoclipe animado baseado no disco ‘The Wall’ sobre os traumas de um jovem daquela que é considerada com toda justiça como a maior banda de rock progressivo de todos os tempos.

‘The Commitments’ (The Commitments – Loucos pela Fama), 1991, revelava em definitivo a paixão de Parker pela música.

O filme é sobre um grupo de músicos de rua liderados por um jovem que deseja levar o soul music para Dublin. Quando finalmente alcançam um certo sucesso começam os conflitos.

Mais tarde veio ‘Evita’, 1996, com Madonna na pele da grande dama peronista e Antonio Banderas como Che Guevara.

Uma ópera rock com partitura de Andrew Lloyd Webber e roteiro de Oliver Stone, outra vez.

O filme comprou uma briga com metade da Argentina peronista e até Menem, na época presidente do país, se manifestou contra o filme.

A polêmica parecia ser uma norma em sua trajetória cinematográfica!

Foi assim com os turcos, foi assim com os argentinos e não foi diferente com uma parte do sul dos Estados Unidos.

Mississippi Burning’ (Mississippi em Chamas), 1988, com a Ku Klux Klan como pano de fundo e os linchamentos de negros numa das regiões mais racistas e atrasadas do país. Obscurantista e miserável na essência.

Angel Heart’ (Coração Satânico), 1987, um detetive de New York sai em busca de um cantor desaparecido depois da Segunda Guerra Mundial. Quanto mais investiga mais distante vai ficando da verdade. Pelo caminho vai deixando um rastro de mistérios, magia negra e assassinatos.

Birdy’ (Asas da Liberdade), 1984, foi seu drama anti-Vietnã reconhecido pelo Festival de Cannes, onde recebeu o prêmio do júri naquele ano.

Narra o retorno de um soldado norte-americano do Vietnã com marcas profundas de suas experiências na guerra.

Seu último trabalho não recebeu nem crítica e nem público. Passou batido. Já não revelava a sutileza dos velhos tempos.

The Life of David Gale’ (A vida de David Gale), 2003, conta a história de um homem correto envolvido em situações bizarras que acaba condenado à pena de morte.

Alan Parker começou sua carreira filmando comerciais, até que um dia, lá pelo ano de 1976 lançou ‘Bugsy Malone’ (Quando as metralhadoras cospem). 

Uma história que mostra ações criminosas praticadas por gângsteres de adolescentes, entre eles Jodie Foster, durante a vigência da Lei Seca nos Estados Unidos.

Dois anos depois chegou sua grande chance. Uma encomenda que mudou radicalmente sua vida: dirigir o roteiro escrito por Oliver Stone sobre a história real do jovem cidadão norte-americano, Billy Hayes, detido no aeroporto de Istambul com blocos de haxixe presos no corpo.

O caminho estava livre para soltar seu talento e vender sua arte para o mundo.    

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