CAMPANHAS beneficentes. Só que não…

O que não falta é gente com intenção de doar. E gente brigando para arrecadar...

0
7843

Já foi o tempo em que campanha beneficente na comunidade era uma caixinha de papelão em determinada região onde há um grande fluxo de brasileiros colocadas em algumas lojas pedindo dinheiro para sepultar ou mandar o corpo de alguém que morrera para o Brasil. Eram tempos românticos e de muita credulidade, apesar das situações adversas pelas quais as pessoas passavam.

Porém tudo mudou e para pior. Com o advento das redes sociais que repercutem imediatamente tudo a qualquer hora, basta compartilhar qualquer coisa nos bazares e grupos para que o fato alcance proporções gigantescas.

Não houve e não há um dia sequer nos últimos três anos, só para ficar em um período mais recente em que não nos deparamos com algum pedido de dinheiro ou de ajuda material, quando não os dois juntos.

Desde a campanha de ajuda a Filipe Wolff, cujos fundos arrecadados ficaram e ainda estão a cargo da MAPS, não se sabe exatamente para quem vai ou mesmo com quem está todos os valores arrecadados em muitas campanhas.

É notório o caso de uma viúva na região da grande Boston que pediu dinheiro para mandar o corpo do falecido para descansar nos aprazíveis montes de Minas Gerais. Só que não. Não, o corpo não foi mandado para o Brasil. Ficou por aqui mesmo e a diferença entre sepultar aqui e acolá, diz a viúva, foi para pagar dívidas que o finado deixou. Bem, mas este não foi o único caso.

Recentemente, chegou na comunidade a campanha AME Jonatas, um pequeno menino de Joinville, Santa Catarina que sofre de uma grave doença degenerativa e que precisava de tratamento que o governo não poderia dar. As tais vacinas que Jonatas tem que tomar custam a bagatela de US$ 750 mil por ano, e como a família não tem dinheiro apelou para a caridade alheia e o dinheiro apareceu de todos os lugares possíveis e imagináveis, devido o engajamento de milhares de pessoas.

As boas línguas falam que a campanha arrecadou R$ 4 milhões, já as más afirmam que foram R$ 11 milhões e entre um montante e outro, o Ministério Público de Santa Catarina pediu na Justiça o embargo e bloqueio dos valores e foi atendido. Ou seja, aquilo que era para ser uma benemerência, acabou tomando ares de escândalo, daqueles bem escandalosos mesmo.

A campanha AME Jonatas aqui em Massachusetts e nos Estados arrecadou US$ 48,579.00, dos quais foram repassados US$ 40,014.99 para os pais de Jonatas. A diferença serviu para pagar taxas do GoFundMe e despesas das pessoas envolvidas na campanha.

Porém, o que pegou foi a ausência da prestação de contas por parte de quem coordenou a campanha por aqui. Até que Carine Pearl, pseudônimo de Sirlene Carine Botelho em entrevista prestou esclarecimentos. Acontece que na medida em que a reportagem foi compartilhada nas redes sociais, pessoas que teriam contribuído com objetos que teriam que ser rifados e/ou leiloados e os valores arrecadados destinados para a campanha e deixaram de sê-lo e todos queriam saber dos destinos de relógios, jóias, óculos e outras prendas.

Carine foi xingada e até sua vida pessoal foi exposta diante de todos, em uma demonstração clara de que o/a colega que hoje batalha junto por uma contribuição, amanhã poderá ser o pior pesadelo. O que está por trás dos xingamentos e insultos contra Carine é o ciúme de muitos que não conseguiram encampar a iniciativa por aqui.

Mas o que não falta é campanha. Morreu alguém? Campanha. Alguém foi preso pela Imigração? Campanha. Alguém chegou e não tem trabalho ou não tem para onde ir? Campanha? Ficou doente e não pode trabalhar? Campanha. Ou seja, campanha para todos os gostos e tipos. Deste modo fica muito difícil saber quem precisa ou quem somente quer se locupletar com o dinheiro alheio.

Nada há contra este tipo de ajuda, mas se as coisas não for as claras, logo teremos uma desconfiança generalizada com o povo retendo a mão e não contribuindo para quem realmente necessita.

Ah, sim, tem também os tais facilitadores que cobram uma verbinha para administrar a campanha, uma modalidade que para alguns acabou virando uma fonte de renda, pois ninguém é de ferro. Mas destes oportunistas vamos tratar em outra oportunidade, pois não perdem por esperar. Não se iludam, pois já há gente na comunidade brasileira transformando a arte de arrecadar dinheiro alheio em profissão…

Dá próxima vez que se deparar com uma um pedido de ajuda via campanha de arrecadação de dinheiro busque saber quem está por trás do assunto para não lamentar depois…

Imagem meramente ilustrativa

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here