Brasileiro obtém vitória histórica contra discriminação e preconceito

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O brasileiro André de Oliveira chegou aos Estados Unidos em 1993 e desde então mora no Estado do Colorado, na Costa Oeste. Esportista de sucesso no Brasil, André foi cinco vezes campeão brasileiro de Taekwondo e depois foi técnico da seleção brasileira da modalidade.

Ao chegar nos Estados Unidos, André fundou a Champion Taekwondo Academy e quando as coisas começaram a não ir bem, buscou trabalho em diversas áreas que lhe permitisse conciliar as duas coisas. Em 2006, foi trabalhar na Matheson Trucking uma empresa que presta serviços para o United States Postal Service (USPS). Na companhia, havia outros imigrantes e negros como André. Em 2008, a Matheson Trucking contratou uma nova gerente que começou a perseguir os negros e imigrantes que trabalhavam lá, inclusive segregando-os no ambiente de trabalho onde separavam negros e brancos.

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Aos 56 anos, André de Oliveira diz que sua história servirá para inspirar outras pessoas que passam pela mesma situação a buscar a justiça. Fotos: arquivo pessoal

“Uma das atitudes dela foi fazer com que trabalhássemos mais do que os outros funcionários. Na nossa seção o volume de correspondências era muito maior do que a outra seção. Nas escalas, os negros ficavam com as áreas mais duras e algumas vezes quando acabávamos de fazer o nosso trabalho éramos enviados para terminar o trabalho dos funcionários brancos. Ao notar estas coisas, começamos a reclamar e ninguém nos dava ouvidos e as coisas iam ficando cada vez mais difíceis, pois gritavam conosco e se dirigiam a nós chamando-nos de nigger. Já os africanos eram constantemente chamados de estúpidos e preguiçosos. Certa vez, um deles disse que tinha uma arma e que iria matar todos os imigrantes e africanos. Em 2010, o schedule foi modificado e nossos nomes foram retirados. Logo vimos que era uma forma de nos demitir, já que a gerente contratou outros funcionários, todos eles brancos. Nesta ocasião, reclamei e me readmitiram”, diz André de Oliveira em entrevista para o www.mundoyes.com.

Então os funcionários que eram discriminados buscaram a justiça e o africano Bemba Diallo foi o primeiro a entrar com o processo em 2011. No total, 12 pessoas contrataram três advogados e processaram a Matheson Trucking, destes, um desistiu, quatro fizeram um acordo com a empresa e sete continuaram com o processo, até que um juiz federal determinasse que fossem indenizados, no caso de André, a indenização é em torno de US$ 2 milhões. Além da indenização, a Matheson Trucking terá que pagar os dias que os empregados ficaram sem trabalhar, mais os danos morais dos dias que ficaram sem emprego. A decisão cabe recurso.

A indenização total é de US$ 13 milhões por danos punitivos, US$ 318 mil em salários atrasados para os trabalhadores que foram demitidos por serem negros e US$ 650 por dano emocional e no curso do processo ficou provado que a empresa discriminava os trabalhadores em todas as fases do emprego, incluindo a contratação, demissão, condições de trabalho, promoção, remuneração de férias, licenças, disciplina, turnos de trabalho, benefícios e salários.

“Nunca pensei que um dia fosse passar por isso mas sabia que os Estados Unidos têm um sistema de justiça muito justo e sério. Não foi uma vitória só minha, foi uma vitória das pessoas envolvidas e daquelas que passaram e estão passando por isso. A vitória não e financeira e sim moral. Tenho orgulho de lutar por uma causa justa e com isto conquistar a confiança, própria e poder andar com a cabeça erguida sem medo de ser julgado pela minha cor ou origem. Vou continuar a minha vida como sempre fiz, cuidar da minha família aqui e no Brasil, cuidar da minha academia e continuar ensinando os pessoas a nunca desistir dos seus sonhos e agora mais do que nunca ser mais um a lutar contra o racismo e a discriminação  racial. Como ser humano e cidadão americano aprendi mais uma vez que todos nós temos os mesmos direitos, independente da cor ou origem. Espero que a empresa aprenda a lição e mude a maneira como trata seus funcionários”, continua André de Oliveira.

“Nunca havia sido discriminado antes. Quando cheguei aos Estados Unidos, havia uma senhora negra que era avó de uma aluna na minha academia de Taekwondo e ela sempre foi gentil comigo e sempre me convidava para almoçar, para as comemorações de fim de ano, e feriados na casa dela. Sem contar os passeios que ela fazia comigo e a minha filha. Sempre foi uma senhora muito boa e a neta dela foi campeã americana na época em que eu a treinava, e jamais pensei em passar por este tipo de situação”, finaliza Andre afirmando que toda esta história é o enredo de um filme e que servirá de incentivos para que outras pessoas que passam pela mesma situação busquem os seus direitos e reparação das injustiças sofridas por causa da cor da pele ou da origem.

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