Barrosão, o ‘Bola Nossa’

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Nos idos da década de 40, Alcebíades de Magalhães Dias, o Cidinho foi um árbitro que apitou jogos em Minas Gerais e ganhou fama e se meteu em incontáveis problemas por causa do seu amor descarado e declarado pelo Atlético-MG. Durante os 25 anos que apitou jogos, precisou sair de campo protegido pela polícia e disfarçado até de cigana para não apanhar. Porém o episódio que deu fama e notoriedade ao atleticano fanático aconteceu em 1949.

Atlético-MG e Botafogo jogavam na inauguração de um estádio quando uma bola saiu pela lateral e um zagueiro do Atlético-MG queria saber de quem era a bola. “A bola é nossa”, e os transformou definitivamente em Cidinho Bola Nossa, apelido que o acompanhou até o fim da vida.

Bem o que isto te a ver com este texto opinativo? Luís Roberto Barroso, (foto) foi escolhido por sorteio no Supremo Tribunal Federal para ser o novo relator das execuções penais dos réus do Mensalão do PT que cumprem pena, entre eles José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, todos do PT que pedem a progressão imediata das penas entre outras coisas.

Luís Roberto Barreto foi levado ao cargo pela presidente Dilma Rousseff e chegou afirmando que o julgamento do Mensalão era um ponto fora da curva e um voto seu livrou os mensageiros no item formação de quadrilha. Não se sabe se ele foi escolhido pelo seu notório saber jurídico e se prometeu algo em troca da indicação.

Sabe-se que ele fez a diferença e os próximos passos deles é que mostrarão qual é a sua intenção. Joaquim Barbosa deixou o cargo de relator, por causa das pressões, conflitos e atritos com os advogados dos mensageiros e se disse desgastado com tudo e à véspera da aposentadoria mostrou que sua paciência que não é lá estas estas coisas deu o tom da sua despedida.

Por isso é que foi feito um sorteio e coube a Barroso a incumbência de ser o relator. O processo do Mensalão é o maior da história do judiciário brasileiro pela sua amplitude, pela sua importância, pelo seu significado e pela forma como se deu o julgamento. Não fosse pela pertinácia, esforço e obstinação de Joaquim Barbosa e os ladrões e corruptos que se originaram no Palácio do Planalto, no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva e que envolveu a figura de José Dirceu, então o todo poderoso ministro chefe da Casa Civil e na prática o homem mais poderoso da república na fase inicial da república petista.

O Mensalão foi julgado de expectativa, apreensão e dizia-se que não daria em nada. Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT afirma aos quatro ventos que o processo iria virar piada de salão, e talvez tenha se dado conta de que não deu na dureza da sua cela na Penitenciária da Papuda em Brasília.

Joaquim Barbosa elaborou uma poderosa e indestrutível peça jurídica capaz de enfrentar o batalhão dos mais bem pagos advogados e não deixar nenhuma brecha para eles, e assim foi sessão após sessão.

Mesmo tendo sido por uma questão de rodízio, escolhido o presidente do STF, Barbosa não deixou a relataria do processo e passou por um verdadeiro massacre, principalmente por parte da rede de blogueiros e de gente a serviço do PT que o pressionou, difamou, xingou e espalhou todo tipo de notícias a respeito de Joaquim Barbosa que enfrentou uma batalha com Ricardo Lewandowski que parecia ser mais um defensor dos criminosos do que um magistrado que deveria cumprir o seu papel.

Aparentemente nem todos os juízes, principalmente alguns dos indicados pelo governo do PT não se deram conta da importância do processo e de tudo o que estava envolvido nele, pois se tivessem e diante das provas inquestionáveis constantes no arrazoado jurídico agiriam de outra forma.

Um vez esgotados todos o recursos dos advogados, restou aos condenados recolherem-se à prisão, com excessão de Henrique Pizollato, que preferiu debandar para a Itália e lá ser preso a enfrentar a cadeia e cumprir a sua pena. É óbvio que os condenados continuaram esperneando e reclamando da condenação, principalmente José Dirceu que diz que o processo do Mensalão foi uma farsa e que seu julgamento é político, o certo é que ele cumpre sua etapa na cadeia desde 15 de novembro, quando se apresentou e foi recolhido.
Agora cabe a Luís Roberto Barroso mostrar se é um magistrado como dele se espera que seja e que aplique a justiça como deve ser ou se incorporara ao seu nome o apelido que Cidinho, o árbitro mineiro que tinha verdadeira paixão pelo seu clube de coração, ou que livre os bandidos das aplicações cabíveis às penas de cada um. Magistrado ou ‘Bola Nossa’, eis o dilema do Barrosão…

 

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