Alguns medos e temores de imigrantes indocumentados nos Estados Unidos

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O medo geralmente começa na infância e se prolonga por toda a vida. Quando crianças temos medo de dormir de luz apagada, de ficar sozinhos, de que os pais ou os irmãos morram. Na adolescência os medos são outros. Nos rapazes é o de que a voz em mutação fique sempre daquele jeito, nas meninas é a de que o corpo que passa por transformações importantes fique disforme e desproporcional.
Na juventude o medo do futuro e por vezes a falta de perspectiva são os fantasmas que assolam o cotidiano. Medo de não conseguir uma namorada ou namorado, medo de não se casar, de de ficar só no meio da multidão.

E na América? Quais são os medos e temores?

De nunca conseguir os documentos americanos
Este é um dos maiores – senão o maior – medo. A expectativa de que leis apropriadas sejam abertas é a esperança de milhões de imigrantes indocumentados que estão nos Estados Unidos em busca de uma vida melhor e mais digna.

Medo de ser apanhado pela Imigração
No começo do mês de março uma operação do Immigration and Customs Enforcement – ICE em Martha’s Vineyard que prendeu dois brasileiros que tinham ordem de deportação, provocou pânico e terror na comunidade. Pais e mães que não foram buscar seus filhos na escola, outros que foram trabalhar, gente que se abrigou em casa de amigos e parentes, e nestas ocasiões não faltam os maldosos que disseminam e propagam boatos e notícias das quais não podem ser confirmadas. As redes sociais contribuem imensamente para que isto ocorra com mais rapidez.

Medo de que parentes no Brasil morram ou fiquem doentes
A falta de documentos e a distância faz com que se tenha medo de parentes no Brasil morram ou fiquem doentes. Sandra Mello, veio para os Estados Unidos com o marido e o casal de filhos em 1996. Quando recebeu a notícia de que sua mãe estava com câncer e por mais que ela tentasse não conseguiu autorização da Imigração para viajar ao Brasil para ver sua mãe, que morreu no começo de 2006. Três meses depois chegou o green card de Sandra.

Medo de ficar doente e de morrer
Estes são um dos maiores motivos de medo entre imigrantes. Como ir ao médico se a maioria não domina o idioma para explicar ao médico os sintomas. A falta de confiança na medicina americana que é cara e dispendiosa é um dos maiores temores. Mesmo com todo o desenvolvimento da medicina local, muita gente – especialmente os brasileiros – prefere métodos paliativos e a auto-medicação, inclusive para tratar a depressão que é um dos males que mais assola o brasileiro. Morrer em terras americanas é outros dos pavores, principalmente aqueles que estão longe de casa há muito tempo.

Medo de ser traído
Este medo é comum entre homens e mulheres na mesma proporção. Ser traído dói e deixa uma dor difícil de ser reparada. Nestes tempos de alta – e moderna – tecnologia as traições são virtuais, pois muitos dos casados que buscam aventura na internet amam seus parceiros, mas o caráter anônimo proporcionado pelo ambiente virtual estimula o encontro erótico. Tudo o que um homem ou mulher precisa fazer é ligar o computador e escolher entre milhares de outras pessoas disponíveis. Nada poderia ser mais fácil. A maioria se aventura em chats, por causa da monotonia, falta de interesse sexual do parceiro ou desejo de variedade e diversão pura e simples. Homens tem medo de ser traídos, já as mulheres de serem abandonadas.

Medo do futuro
Desde que Donald Trump foi eleito depois de prometer deportar milhões de imigrantes indocumentados o nível de medo aumentou consideravelmente entre a comunidade imigrante. As primeiras ações de Trump, o aperto nas questões imigratórias a verborragia cada vez mais estridente de anti-imigrantes, o racismo cada vez mais aflorado e a falta de perspectiva de que haja uma reforma de imigração a curto prazo, fazem com que milhões de imigrantes tenham dúvidas e medo do que pode acontecer em um futuro bem próximo. Mas há de ser otimista porque dias melhores virão…

Imagem meramente ilustrativa

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