A dura vida atrás das grades

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A justiça americana é das mais severas e punitivas do mundo. Aqui tudo é pretexto para levar o oponente na corte em busca de reparação. Nós, brasileiros é que não estamos acostumados e as vezes pagamos um preço muito alto por isso. Muitos optam deliberadamente pelo vida do crime, pensando que estarão impunes, mas o efeito é exatamente contrário.

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A justiça americana é coercitiva, punitiva e quando se entra no sistema judiciário, paga-se a pena de modo exemplar. Imagens meramente ilustrativas

A mão pesada da lei castiga quem transgride e penaliza duramente criminosos deliberados. Cair nas mãos da justiça americana e ser condenado, significa que o indivíduo vai ter tempo de sobra para refletir sobre o seu delito. Uma vez dentro da prisão, todas as vontades e desejos vão ser quebrados e o que vai valer é dura disciplina interna.

Marco Antonio, o Marquinhos, é um exemplo claro de que a transgressão deliberada tem um um grave conseqüência. Filho caçula de uma família de classe média em Vitória, e as más companhias fizeram com que seus pais o mandassem para a casa da irmã nos Estados Unidos. Ao desembarcar na América com 15 anos, Marquinhos se viu livre das pressões do pai e da mãe, e logo estava envolvido com uma gangue considerada uma turma da pesada.
Marquinhos, foi preso três vezes e na terceira vez foi condenado a dois anos de prisão. Havia assaltado uma deli na região de New York. Ao sair em liberdade condicional, se envolveu numa briga com uma gangue rival e um rapaz foi assassinado com um tiro. Ao ser preso novamente Marquinhos tinha resíduo de pólvora nas mãos e isto foi considerado evidência contra ele.

Um acordo com a promotoria e ele admitiu culpa, e foi condenado, desta vez a quinze anos de prisão, e morreria quatro anos depois no início dos anos 90, de Aids. Hoje, com a mudança da lei, uma condenação criminal acima de um ano, faria com que Marquinhos perdesse o seu green card, e seria deportado tão logo cumprisse a pena. Aliás, deportação é fato comum em qualquer condenação criminal, após o cumprimento da pena. Nas estatísticas consulares Marquinhos era um desconhecido, pois a comunicação ao setor responsável dos consulados brasileiros na América, é opcional – o preso comunica o consulado se quiser. Muitos presos passam anos sem comunicar a sua situação aos consulados por vergonha ou mesmo por desconhecimento, e abrem mão do direito de fazer isto.

O Departamento de Estado Americano, não fornece o número de brasileiros presos, mesmo porque se eles tiverem cometido crimes federais – falsificação de documentos, tráfico interestadual de drogas, por exemplo – eles podem cumprir pena na Florida por um crime cometido em New Jersey.

Atualmente há brasileiros presos por crimes comuns, que envolvem estupro, tentativa de assassinato, assassinato, abuso sexual, violência doméstica, falsificação de documentos, tráfico de drogas, formação de gangues, roubo, assalto, entre outros crimes comuns. No Bridgewater State Hospital, está internado um brasileiro que assassinou a mãe, e por ser considerado doente mental cumpre sua pena num estabelecimento hospitalar.

Um outro brasileiro foi condenado a prisão perpétua por ter assassinado a namorada depois de ter sido abandonado por ela. Após cumprir quinze anos da pena, foi libertado por bom comportamento e deportado em seguida. Na prisão gozava de um bom conceito com a direção e foi chefe da cozinha por muitos anos. Outros presos brasileiros trabalham na limpeza, na cozinha, na manutenção e ganham por isso. Os estabelecimentos prisionais para penas de longa duração tem bibliotecas, oficinas, cinema, salas com equipamentos de ginástica e prática de esportes. Uma das queixas mais comuns dos presos é a solidão e a saudade da família.

Mas isto não serve para minorar a realidade de quem está atrás das grades, por qualquer motivo, e não serve de exemplo para quem envereda pelo caminho da criminalidade.

Celso, Amadeu, Carlinhos e Tadeu haviam passado por casas de correção e nem assim se assustavam com a possibilidade de um dia ir parar numa prisão como Bruno, um dos muitos amigos deles que cumpriu pena numa cadeia.

Rindo eles dizem que sua especialidade era roubar rodas e equipamentos de carros para atender encomendas. Gostavam de Mustangs e de carros japoneses que envenenavam para tirar pegas e as vezes fugir da polícia. Na gangue tinha gente de todos os lugares, até americanos, e muitos deles nasceram aqui, como é o caso de Amadeu, Carlinhos e Bruno, por isso não podem ser deportados, e mudaram seus conceitos de vida desde a saída de Bruno, depois de cumprir pena de três anos. Um dia Bruno recebeu a visita de um religioso e motivado pelos conselhos do homem, resolveu mudar de vida e tão logo foi libertado, foi para um instituto bíblico e atualmente trabalha com aconselhamento de ex-presidiários como ele. Casou-se com Pamella, uma americana da Califórnia e se prepara para ser missionário na Ásia.

Entre os que estão ou passaram pelas prisões americanas estão muitas mulheres, que na sua maioria cometem crimes de falsificação de documentos, roubo e tentativa de assassinato.

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As penas valem para todos. Homens e mulheres

Neide, hoje no Brasil cumpriu pena na Geórgia por ter esfaqueado uma mulher que deu em cima do namorado, o porto-riquenho Alfonso com quem ia se casar. O namorado ficou com a agredida, que se safou por pouco, mas ela acabou se casando com Elvin, primo de Alfonso, e quando foi libertada e deportada ele a acompanhou para o Brasil. Neide espera poder voltar um dia para os Estados Unidos. Se não der, vai morar em Porto Rico com o marido.

Outra que foi deportada depois de cumprir sua pena, foi Leila Lopes, que atropelou um policial em Peabody, assim que chegou aos Estados Unidos anos atrás. Jeremias Bins que assassinou a mulher Carla e Caíque, o filho dela; Misael Rosa, que matou a facadas a mulher Silvia. Em outubro de 2009, Antonio Marcos dos Santos, matou a ex-namorada Sheila Carla dos Santos e Marcelo Almeida assassinou a ex-namorada Patrícia Froes também a facadas, foram condenados e estão cumprindo suas penas.

Os crimes cometidos por brasileiros são as vezes contra os próprios brasileiros. A falsificação de documentos é um dos crimes mais comuns. Depois de semanas de negociação o valadarense Nuno – nome fictício, concordou em falar dos oito anos que passou nas prisões americanas.

Um ano depois de chegar aos Estados Unidos estava casado com Jane, uma americana que trabalhava com ele. Atraído pela ganância e pela vontade de ter coisas que demorariam anos para ter, começou a falsificar documentos. Ganhou muito dinheiro, e comprou imóveis no Brasil. Nesta altura o casamento havia acabado, e Nuno tinha uma rede de pessoas que trabalhavam para ele. Um dia, foi cercado pela polícia na saída de casa e levado preso. Logo, foi julgado e condenado a oito anos de cadeia. No acordo que fez com a promotoria abriu mão da cidadania, das propriedades que tinha na América, e só viu os dois filhos que foram morar com a mãe no Estado de Washington, anos depois quando eles foram visitá-lo no Brasil.

Passados quase vinte anos da sua condenação Nuno afirma que aprendeu na prática uma dura lição de que a vida atrás das grades americanas é dura, muito dura, especialmente no inverno.

Há alguns anos Steve, o filho mais velho de Nuno que é marine aplicou para que o pai volte aos Estados Unidos, pois o acordo com a promotoria dizia que ele deveria ficar fora daqui por dez anos, e a primeira etapa do processo foi favorável a Nuno, que espera voltar em dois anos, para desta vez trabalhar de verdade e mostrar para a sociedade que está de fato recuperado e é hoje um homem de bem que não perdeu a sua dignidade numa prisão americana qualquer.

Hoje há brasileiros presos em penitenciárias e presídios em diversos Estados americanos, condenados ou aguardando julgamento, a maioria por crimes relacionados a roubo, quadrilhas e falsificação de documentos.

 

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