A DURA vida atrás das grades

Além da dureza das sentenças, há todo tipo de abuso nas cadeias

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No duro sistema penal americano, condenados pagam suas dívidas com a sociedade

A justiça americana é das mais severas e punitivas do mundo. Aqui tudo é pretexto para levar o oponente na corte em busca de reparação. Nós, brasileiros é que não estamos acostumados e as vezes pagamos um preço muito alto por isso. Muitos optam deliberadamente pelo vida do crime, pensando que estarão impunes, mas o efeito é exatamente o contrário.

A mão pesada da lei castiga quem transgride e penaliza duramente criminosos deliberados. Cair nas mãos da justiça americana e ser condenado, significa que o indivíduo vai ter tempo de sobra para refletir sobre o seu delito. Uma vez dentro da prisão, todas as vontades e desejos vão ser quebrados e o que vai valer é dura disciplina interna.

Antonio Dadalto Jr, cumpriu sua pena em 2007, mas continua sob custódia

O caso de Antonio Dadalto Junior é um que está sem solução desde que ele cumpriu a sua pena de prisão, depois que foi condenado em 1995, a uma pena de 13 anos por tráfico de drogas e violência sexual após admitir culpa em um acordo com a promotoria. Sua pena terminou em 30 de agosto de 2007 e desde então, Dadalto Junior está preso sem que seu caso tenha uma solução. Atualmente ele está sob custódia no Old Colony Correctional Center, em Bridgewater, Massachusetts pois as as autoridades não o liberam pelo receio de que ele volte para os Estados Unidos.

O Governo brasileiro foi acionado algumas vezes pelos seus advogados e familiares e nem assim, há uma solução. Recentemente, foi enviado uma correspondência para o Departamento de Justiça pedindo a sua liberdade e que seja mandado embora, já que tem carta de deportação desde 1998.

Centenas de brasileiros já passaram pelo sistema prisional americano e experimentaram o quão pesado e punitivo ele é. Marco Antonio, o Marquinhos, é um exemplo claro de que a transgressão deliberada tem um um grave conseqüência. Filho caçula, rebelde e problemático de uma família de classe média em Vitória, e as más companhias fizeram com que seus pais o mandassem para a casa da irmã nos Estados Unidos. Ao desembarcar na América com 15 anos, Marquinhos se viu livre das pressões do pai e da mãe, e logo estava envolvido com uma gangue considerada uma turma da pesada.

Marquinhos, foi preso três vezes e na terceira vez foi condenado a dois anos de prisão. Havia assaltado uma deli na região de New York. Ao sair em liberdade condicional, se envolveu numa briga com uma gangue rival e um adolescente foi assassinado com um tiro. Ao ser preso Marquinhos tinha resíduo de pólvora nas mãos e isto foi considerado evidência contra ele.

Em um acordo com a promotoria e ele admitiu culpa, e foi condenado, desta vez a quinze anos de prisão, e morreria quatro anos depois no início dos anos 1990, de Aids. Hoje, Marquinhos perderia o seu green card, e seria deportado tão logo cumprisse a pena. Aliás, deportação é fato comum em qualquer condenação criminal, após o cumprimento da pena. Nas estatísticas consulares Marquinhos era um desconhecido, pois a comunicação ao setor responsável dos consulados brasileiros na América, é opcional – o preso comunica o consulado se quiser. Muitos presos passam anos sem comunicar a sua situação aos consulados por vergonha ou mesmo por desconhecimento, e abrem mão do direito de fazer isto.

O Departamento de Estado Americano, não fornece o número de brasileiros presos, mesmo porque se eles tiverem cometido crimes federais – falsificação de documentos, tráfico interestadual de drogas, por exemplo – eles podem cumprir pena na Flórida por um crime cometido em New Jersey.

Atualmente há brasileiros presos por crimes comuns, que envolvem estupro, tentativa de assassinato, assassinato, abuso sexual, violência doméstica, falsificação de documentos, tráfico de drogas, formação de gangues, roubo, assalto, entre outros crimes comuns. No Bridgewater State Hospital, está internado um brasileiro que assassinou a mãe, e por ser considerado doente mental cumpre sua pena num estabelecimento hospitalar.

Os estabelecimentos prisionais para penas de longa duração tem bibliotecas, oficinas, cinema, salas com equipamentos de ginástica e prática de esportes. Uma das queixas mais comuns dos presos é a solidão e a saudade da família.

Mas isto não serve para minorar a realidade de quem está atrás das grades, por qualquer motivo, e não serve de exemplo para quem envereda pelo caminho da criminalidade. Entre os que estão ou passaram pelas prisões americanas estão muitas mulheres, que na sua maioria cometem crimes de falsificação de documentos, roubo, tráfico de drogas e tentativa de assassinato. Patricia DeSena, está presa por assalto a banco e Claudia Cristina Sobral Hoerig foi extraditada do Brasil para os Estados Unidos para ser julgada pelo assassinato de seu ex-marido.

Depois de cumprirem suas penas os que não são cidadãos americanos, são deportados, como foi o caso de Leila Lopes, que atropelou um policial em Peabody, assim que chegou aos Estados Unidos anos atrás. Jeremias Bins que assassinou a mulher Carla e Caíque, o filho dela; Misael Rosa, que matou a facadas a mulher Silvia. Em outubro de 2009, Antonio Marcos dos Santos, matou a ex-namorada Sheila Carla dos Santos e Marcelo Almeida que assassinou a ex-namorada Patrícia Froes também a facadas, foram condenados e estão cumprindo suas penas. Walter da Silva, matou a filha de 19 anos e foi condenado à prisão perpétua em 2018. Já Joel Lemos foi condenado a uma pena de 40 anos por ter colocado uma bomba no carro de um desafeto. Volta e meia Lemos envia cartas para as redações dos jornais locais dizendo-se inocente

Os crimes cometidos por brasileiros são as vezes contra os próprios brasileiros. A falsificação de documentos é um dos crimes mais comuns. Depois de semanas de negociação o valadarense Nuno – nome fictício, concordou em falar dos oito anos que passou nas prisões americanas.

Um ano depois de chegar aos Estados Unidos estava casado com Jane, uma americana que trabalhava com ele. Atraído pela ganância e pela vontade de ter coisas que demorariam anos para ter, começou a falsificar documentos. Ganhou muito dinheiro, e comprou imóveis no Brasil. Nesta altura o casamento havia acabado, e Nuno tinha uma rede de pessoas que trabalhavam para ele. Um dia, foi cercado pela polícia na saída de casa e levado preso. Logo, foi julgado e condenado a oito anos de cadeia. No acordo que fez com a promotoria abriu mão da cidadania, das propriedades que tinha na América, e só viu os dois filhos que foram morar com a mãe no Estado de Washington, anos depois quando eles foram visitá-lo no Brasil.

Passados quase vinte anos da sua condenação Nuno afirma que aprendeu na prática uma dura lição de que a vida atrás das grades americanas é dura, muito dura, especialmente no inverno.

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